terça-feira, 21 de março de 2017

Carta aos Hipsters

Hoje eu resolvi trazer um texto com tom"humorístico" por assim dizer, mas que retrata muito bem a nossa realidade, e fala de um aspecto e característica  minha que eu tenho muito orgulho: Ostentar uma barba.

Assim como o Héracles original e muitos caras fodões de antigamente, a barba foi um componente essencial, que deixava os caras durões com uma aparência ainda mais durona. Era um sinal de tenacidade mental, de caras que passaram por muitas coisas na vida e sobreviveram para contar. Por isso, ainda na nossa era contemporânea cosmopolita, barba é um sinal de virilidade. Existem muitas histórias por detrás delas, e muito sangue foi derramado por caras que possuíam uma barba realmente viril.

Porém e infelizmente, o que se vê nos grandes (e nem tão grandes assim) centros, é essa moda cretina, escrota, extremamente homosexual e abixolada de hipsters e seus estilinhos cools descolados "lumbersexual" e afins. PQP!!! Eles acabaram com a masculinidade que existia intrinsecamente na barba. A aura de dureza e virilidade que o homem possuidor de uma barba de respeito tinha, foi covardemente ceifada e sepultada pelos arquitetos da "moda". Hoje, ver um fulano com uma barba não significa quase nada, se não  sabermos como ele vive, justamente pq qualquer imbecil que gosta de transar de costas e é vegano usa. Afinal, está na moda né pessoal. Bem, o texto a seguir eu retirei desse site: Barba Viking. A carta foi escrita por uma mulher que se encontrou completamente indignada com essa realidade hipster (e que porra de nome é esse, filhos da puta?). Tentem imaginar a decepção e sofrimento dessa pobre moça, e de muitas outras mulheres que gostam de uma barba em HOMENS, tendo que ser obrigadas a conviver com eunucos barbados.


Virilidade (risos eternos)


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Caros Hipsters Barbudos,

VOCÊS ESTÃO ACABANDO COM MEU FETICHE POR BARBAS! Desde que eu era uma menininha, eu amava um homem com barba. Pra mim elas significavam força, poder, MASCULINIDADE. Alguém que pudesse me proteger. Infelizmente, vocês transformaram a barba em um acessório de moda. A barba virou o equivalente ao sutiã com enchimento do mundo masculino. Sim, pode parecer sexy, mas ninguém nunca sabe o que tem por baixo. Tem uma geração inteira de homens andando por aí com aparência de lenhador, mas a maioria de vocês não consegue trocar a porra de um pneu.

Olha, eu entendo. De verdade. Eu entendo a motivação por detrás dessa barba. Eu até sinto pena de você. Milhares de anos de evolução direcionando vocês para matarem coisas, perseguirem coisas, fuderem coisas… mas, e agora? Você está preso em uma mesa o dia todo. Sem batalhas para lutar. Sem guerras para combater. Então você afirma sua masculinidade da única forma que você conhece. Você fabrica cerveja. Você deixa crescer pelos na sua cara. Eu já vi vocês, hipsters, em lanchonetes descoladas, com suas namoradas roqueirinhas, comendo batatas trufadas, tentando desesperadamente não deixar o molho Aioli sujar a barba. Eu vi o desespero silencioso nos seus olhos. Eu sei que você está gritando no vácuo.



Se vc se pareca com alguma dessas coisas, sai daqui já, é sério!


Mas eu continuo odiando você. Você está me confundindo. Agora sou eu que tenho que separar quem é homem de verdade e quem é poser. Infelizmente, eu temo que a maioria de vocês seja  do último tipo. Antes dessa explosão de bigodes em homens descolados em todo lugar, quando eu via um homem barbudo, era seguro presumir certas coisas sobre ele. Tipo, que ele provavelmente era dono de um martelo. Ou que ele lavava o cabelo com sabonete. Sua barba provavelmente tinha cheiro de óleo de motor e também provavelmente algum resto de comida da noite anterior.


Apenas uma palavra pode descrever isso: DECEPÇÃO. 

Mas vocês, seus vegetarianos afrescalhados, são uma espécie completamente diferente. Vocês tem essa cara de homem da montanha, mas ao custo de muito cuidado. Vocês cultivam a barba. Com produtos de beleza. Um busca rápida no Google por “produtos de beleza para barba“, retorna com literalmente milhares de páginas explicando como ter a barba mais lustrosa possível. Olha só essa da Philadelphia Magazine, onde eles testaram VINTE TIPOS DIFERENTES de óleos. O resultado desse intrépido teste?

“Estou falando de uma barba mais macia e manejável, que ficam no formato, e com um bom aroma. Não soa mal falar assim, soa?“

Sim. Soa, seu FRANGOTE! Eu estou lendo a Cláudia? Que porra é essa? Betty White tem mais culhões do que você. Olha, eu sei que eu pareço dura demais, mas isso sou eu tentando me controlar. Uma barba é para deixar o seu rosto aquecido. E só isso. Vocês homens cresciam barbas para que pudessem sair e caçar comida pra gente, enquanto nós usávamos nossos peitos com leite quente para alimentar os pequenos. É por isso que eu adoro barbas. É uma resposta natural, instintiva. Eu quero um homem que possa me deixar segura. Quando foi que isso ficou tão distorcido?




Eu não quero voltar para os tempos dos homens de Cro-Magnon. Eu fico feliz que hoje a gente tem mais igualdade entre os sexos, e eu gosto de não ter que me preocupar se vou virar comida de uma criatura maior. Mas eu estou exigindo uma moratória na barba hipster. Eu exijo que você pegue uma lâmina de barbear se qualquer um dos itens a seguir for verdade:

– Sua barba é acompanhada por uma gravata borboleta ou óculos de aro grosso. Porque cacete você quer se parecer com o Sigmund Freud? Pelo menos ele podia culpar a aparência esquisita dele no seu enorme vício em cocaína.

– Você deixou a barba crescer para ser “irônico“. Mas você não entende muito bem o que “ironia“ quer dizer, ou porque deixar uma barba crescer seria irônico.

– Você perde tempo no seu trabalho de designer iniciante para ir até a South by Southwest, levar seu Bulldog Francês para o veterinário ou sentar no seu futton e chorar.

– Você não faz ideia do que seja uma chave Allen, mas consegue explicar, nos mínimos detalhes, a diferença entre um macchiato e um americano.

– Existe uma foto de Instagram sua usando um gorro de lã com uma espiga de trigo na boca.

Como vocês se saíram, rapazes? Melhor pegarem o seu gel de barbear hidratante. É hora de vocês pararem de brincar de ser homem. Mas não jogue essa barba tão magnificamente cultivada no lixo. Dê para sua namorada recicladora, do tipo faça você mesmo, para ela colar em um moldura de porta-retratos, ou algo do tipo. Mas por favor, se livre dessa barba. Outro modismo passageiro em breve vai surgir para ocupar seu déficit de atenção causado pela tecnologia. E eu? Eu vou ter muita barba atrasada para xavecar.

Antecipadamente grata,
Nicki

terça-feira, 7 de março de 2017

A estratégia Barbell (bimodal)

Muito se fala sobre a importância de ser "equilibrado" e seguir pelo "caminho do meio", que devemos não ser extremos nas nossas atitudes e escolher tudo com parcimônia e uma certa dose de suavidade. Justamente para evitar maiores riscos a nossa integridade, seja elas de perdas financeiras ou físicas e até mesmo psicológicas. A extensão dessa ideia na nossa sociedade de uma maneira geral é bastante abrangente e altamente aceita nos mais diversos meios sociais, e intelectuais. Talvez até você mesmo, caro leitor, pense que esse tipo de alinhamento mental seja o mais razoável e obviamente o mais racional e se seguir, dada a violência e crise financeira ao qual o nosso maravilhosos pais passa.

Bem, talvez essa ideia de permanecer no meio, sem se permitir ir a qualquer extremo diga muito sobre qual é a personalidade e o espirito da espécie humana hoje. Essa seja talvez a característica principal do homem cosmopolita comum, o homem mediano, a classe média. Percebam que o homem médio, o homem comum tem opinião sobre os mais diversos assuntos e temas, mas não tem uma posição definitiva sobre nada. O homem médio vai na academia e gosta de esportes, mas não ao ponto de seguir protocolos a risca, fazer dietas e até quem sabe contrair uma lesão devido a intensidade do treino, pois afinal, isso já é extremismo. Ele é o espectador, não o praticante. O homem médio tem seu salário e uma vida confortável, não é rico, mas também não é pobre. Ou seja o homem médio é uma mistura de tudo, mas não representa nada. É só mais um carinha que vc vê perambulando por ai, sem destaque, sem brio, sem nada de mais.




Ser chamado de "um cara normal", "só mais um na multidão" talvez seja uma das piores coisas que vc, caro leitor, possa ouvir na sua vida. Isso significa que vc esteja fazendo algumas coisas muito erradas na sua vida. Ou melhor, isso significa que vc não está fazendo absolutamente nada com a sua vida. Soa pesado? Eu sei, essa é a ideia. Ou mesmo se vc se considera só mais um carinha tentando vencer na vida e se orgulha disso, talvez vc devesse fazer um tratamento de reposição hormonal, pq sua testosterona está mais baixa do que um paciente geriátrico com câncer nos testículos, ou devesse se matar de uma vez, afinal, vc não faz diferença nenhuma aqui e ainda se orgulha de ser praticamente um peso morto. Seu trabalho não é importante. Sua "facul" não é importante. Seus feitos não são importantes. Se vc morrer hoje, amanhã já terá outra pessoa no seu lugar e em 2 meses ninguém lembrará de vc. Soa pessimista de mais né? Eu sei. Por isso o Complexo de Hércules existe, para eu chutar a sua bunda virtualmente e fazer vc acordar e encontrar um identidade que faça vc ter um propósito para viver que te diferencia da manada de paspalhos que vemos todos os dias.




Além do fato de vc ter baixos níveis de testosterona e ser praticamente um eunuco, a tendência de permanecer no caminho do meio e ter medo de assumir riscos se deve ao fato de vc querer se proteger de consequências que possam lhe colocar em perigo de vida ou em grandes problemas financeiros, é claro. Evitamos transitar por instabilidade, assim nos sentimos seguros, como se estivéssemos com o controle dos eventos nas mãos, com a vida muito bem organizada e previsível. Mas infelizmente (ou não) a vida humana só se desenvolve por meio de estrese que cause alguma alteração pontual acentuada. Essa é uma regra básica que o homem médio esquece, pois foi ensinado e esquecer. Um organismo que não resiste a nenhum estresse aleatório qualquer, é um organismo frágil, por mais que se tenha estabilidade. Uma taça no meio de um furacão ou dentro de um cofre continua sendo uma taça. O que é preciso não é por essa taça num cofre ainda mais seguro para tornar ela mais robusta, mas fazer com que esta se torne menos frágil, assim a preocupação e gastos com segurança serão cada vez menores. Talvez a analogia tenha sido uma verdadeira merda, mas acho que ela ilustra de forma bem simples o que é ser antifrágil.

Como eu disse, a maior capacidade do ser humano foi resistir e superar o estresse ao qual sempre foi submetido, e não evitar de todas as formas das quais ele se manifeste. E é exatamente isso que o mundo atual não está fazendo. Evitamos o estresse a qualquer custo,achando que com isso estaremos protegidos, mas não, estamos nos tornando cada vez mais frágeis e cada vez MENOS protegidos de problemas e crises. Aqui no meu blog eu já falei muito sobre isso, de que o homem é adaptado para atuar em períodos curtos de alta intensidade, e repousar subsequentemente e repetir o processo até atingir determinada meta. Não fomos feitos para suportar estresse "mediano" e continuo por longos períodos, e nem para viver sem estresse nenhum.

Já é extensamente provado pela ciência que estres crônico, por mais leve que seja, leva o homem a ter os mais diversos tipos de doenças e problemas psicológicos. Aquele seu chefe te aporrinhando todo dia, metodicamente, por causa de merdas inúteis, mais dia menos dia vai te deixar louco e depressivo, mas se vc arrumar uma briga aleatória de vez em quando e resolver tudo na porrada em 10 minutos, vc vai ser um cara muito mais feliz e viril (mesmo se apanhar) ao longo prazo. Corridas de fundo vão desmineralizar seus ossos e destruir suas articulações, pq é um estres cronico, mas suportável. Já saltos em distância ou sprints feitos periodicamente, em alta intensidade farão vc ter ossos mais forte, mais músculos, mais disposição e vontade de vencer tudo e todos.

O homem é um predador nato, que age de maneira pontual mas muito intensa, e não um ruminante que fica horas e mais horas fazendo o mesmo movimento monotonamente. Essa ideia se aplica a dieta também, caso vc não tenha notado. Repare que as pessoas mais escrotas vivem fazendo lanchinhos, comendo coisas que na verdade são ruins para o organismo, mas suportáveis pelo gosto açucarado que tem, dando pico de insulina "leves, mas contínuos no sistema, o que acaba evoluindo para resistência a insulina e síndrome metabólica. Não conseguem se concentrar em nada pq são muito suaves e dispersas por qualquer motivo. Não tem nada de espiritual, simplesmente pq não conseguem concentrar uma grande quantidade de energia e descarregar quando necessário. Desperdiçam tudo em coisas triviais, por isso vivem moles e sem vida.


Disso ...


Para isso!! Falhamos. 

O problema da modernidade gira em torna exatamente dessas duas premissas básicas. Foi retirado o atrito intenso, potencialmente perigoso, mas imediato e aleatório, e substituído por um atrito leve, quase imperceptível, mas continuo, constante, estéril e suave. Isso que atrofiou o ser humano, e isso é o estopim para grande maioria (se não todos) os problemas de saúde das mais diversas espécies no homem comum. Esse é justamente o retrato do homem mediano. Sem intensidade nenhuma, só uma coisa amorfa que faz coisas sem significado metódica e repetidamente, até que algum piri-paque o leve para uma cova sem marcação.

Fomos transformados a imagem e semelhança das máquinas que nós mesmos criamos. Coisas previsíveis que fazem as mesmas coisas sempre, sem inovação, sem personalidade, sem brio, sem vida. Não é de se admirar do pq o homem é tão materialista e vê as coisas, mesmo a vida humana e a espiritualidade, apenas como objetos, como produtos que nós encontramos em algum mercado qualquer. Quando resolvemos retirar as extremidades, a aleatoriedade e o estresse relativamente controlado das nossas vidas, deixamos de ser seres humanos e nos transformamos numa bola de carne amorfa. É isso mesmo paspalho, pode discordar se quiser mas essa é a realidade.

Isso é facilmente observável na nossa cultura "fitness" atual. A moda é conseguir o tão almejado "bem estar",  e para isso vc deve ir na sua academia climatizada, fazer o seu spinnig, ou quem sabe a corridinha leve no parque nos fds, tomando seu isotônico de cor fluorescente na sua garrafinha de 500 mangos. Mas nada que seja realmente intenso e que te deixe fisicamente esgotado como um sprint de 100m dando seu máximo, pq afinal, devemos evitar as lesões e não somos extremistas não é mesmo, hahaha. O resultado vc pode observar por ai, um monte de cretinos que vão ano todo na academia ou qualquer outro lugar "malhar" (isso quando vão) e continuam com os mesmos físicos nojentos de sempre, sem força pra porra nenhuma e muito mais propensos a lesões, por causa daquilo que eu já expliquei sobre se fragilizar ao invés de se fortificar se submetendo a atividades de estresse  baixo, mas continuo.


Vem ser fitness vc também :)
Porém, o tipo de coisa que é preciso para vc evoluir como ser humano, nos mais diversos aspectos que vc possa imaginar é, primeiramente assumir riscos, e se submeter a um estresse intenso por curtos períodos, e logo em seguida repousar quase que completamente. É jogar com os dois extremos e não permanecer em um limbo que não é um nem outro. Isso precisamente que é a estratégia "barbell" ou bimodal. Esse termo foi cunhado por Nassin Taleb, e segundo ele mesmo explica:

"O que queremos dizer com barbell? A barra de pesos (barra com pesos em ambas extremidades, utilizada por levantadores de peso) pretende ilustrar a ideia de uma combinação de forças extremas mantidas afastadas, EVITANDO-SE a parte intermediária. Em nosso contexto, ela não é necessariamente simétrica: é composta, apenas, por dois extremos, sem nada no meio. Podemos chama-lá também, mais tecnicamente, de uma estratégia bimodal, já que apresenta dois modos distintos, em vez de um único central". 

...
"Isso significa, de um lado, a aversão extrema do risco, e do outro, a adoração extrema ao risco, em vez de apenas a atitude "mediana" ou "moderada" diante do risco, que, na verdade, é um jogo viciado (pois os riscos médios podem estar submetidos a enormes erros de mensuração). Mas a barra de pesos também resulta, em função de sua construção, na redução do risco de desvantagens - a eliminação do risco do fracasso." 
...
Pois a antifragilidade é a combinação de agressividade com paranoia - elimine suas desvantagens, proteja-se contra danos extremos e deixe as vantagens cuidarem de si mesmas".

Taleb dá o exemplo no mercado de ações onde o mais favorável seria vc deixar uma parte do seu dinheiro investida um uma atividade de risco baixo, que tem pouco potencial de lhe aferir lucros, e uma possibilidade razoável de vc perder tudo, por mais que não pareça claramente, e outra parte investida um alguma atividade de alto risco, que pode lhe dar muito mais lucro ou muitas perdas, mas vc terá o controle exato de quanto vai perder, já que vai depositar uma quantia do todo, e não deixar todo o montante um uma ou em outra. Normalmente as pessoas vão no que parece mais seguro e acabam se acomodando ali, por isso nunca saem do lugar. Mas esquecem que lugares "seguros" estão mais propensos a extremos sem aviso prévio que fazem com que não sobre nada, justamente por não terem contato com as oscilações que são comuns na nossa vida. Ou seja, são frágeis na essência, por mais que pareçam robustos, pois não tem a possibilidade de transitar entre opções, e não são adaptáveis segundo as exigências, pois lembrem-se, estão seguros por coisas artificias e esterilizadas.

Isso se a plica ao que muitos gênios da nossa era fizeram. Tinham um emprego que exigia pouco mental e fisicamente e que dava uma renda pequena, mas constante, e no período que estavam fora desses trabalhos tediosos e maçantes, arriscavam alto em atividades de grande risco e de muitas incertezas, mas que davam a possibilidade de grandes lucros também e uma liberdade para expressar todo o seu potencial humano. Se não me engano, essa é uma estratégia que Robert Kiyosaki cita no seu livro. Mantenha uma renda fixa, mas permita-se arriscar sempre que for possível.

Você pode ter um emprego confortável e estável sendo um concursado federal, que lha dá muito prestígio na sociedade, mas de repente o pais pode entrar em uma crise e vc ficará sem pagamento e ai? O que vc vai fazer? Como vai pagar as parcelas do seu Civic 0km? Você não tem outra fonte de renda, e vc não sabe fazer nada além de digitar alguns números em uma planilha estúpida, pq vc se acomodou no seu emprego confortável e acreditou que estava seguro. Mas não, vc era/é frágil, pq só tem uma opção, e pq vive como o mediano caricato.

Estamos formando uma geração de homens frágeis, que saem das faculdades mal sabendo o assunto especifico ao qual estudaram. Quando não encontram o emprego "na sua área" o que acontece? Sim, o desespero de perceber que na verdade, não sabem fazer porra nenhuma, e não aprenderam nada com a vida. Eu mesmo passei por isso. Aprendemos teoria inútil com professores frágeis mais inúteis ainda, que dão fórmulas de como a vida deveria funcionar, mas na realidade ela funciona de modo muito mais caótico e imprevisível. Não estamos preparados para suportar e evoluir a partir desse estres que a vida submete, e por isso caímos no limbo dos sujeitos medianos. Nosso ânimo se vai. Só temos força para fazer coisas suaves e metódicas, como um zumbi sem cérebro criativo.

Nossos pais a avós e ancestrais aprenderam com as nuances da vida, com os altos e baixos a com a maravilhosa aleatoriedade dos acontecimentos, por isso são muito mais robustos que nós. Por isso vc é mais robusto que seus filhos e irmãos mais novos. pois nós, na nossa ignorância, tendemos a facilitar de mais o jogo para eles, achando que estamos fazendo algo bom. Mas não estamos.

Falando de uma maneira um pouco mais abstrata, mas que ainda assim reflete muito a nossa vida cotidiana e prática, a masculinidade que eu tanto falo aqui no blog se resume a assumir riscos e agir. E a estratégia bimodal é exatamente isso, agir, mas tendo um plano de fundo como palco. A virilidade é representada muitas vezes, por uma dominação fulminante, poderosa, implacável, que chega de forma tão intensa e rápida que não temos como nos defender, e vai embora da mesma forma, justamente para preservar e reabastecer a potência. Virilidade não é algo como um estímulo fraco mas contínuo e metódico, e sim, algo poderoso, intenso, aleatório, seguido de calmaria total e uma sensação de paz. Homens poderosos agem dessa forma, vide Gengiskhan, os Citas, Berserkers, os atletas mais fodas, os melhores empresários e vendedores, os campeões mundiais, etc. Essa é uma constante na história e não é atoa.

Nos treinos, a estratégia barbell se aplica perfeitamente, e é exatamente o que eu tento transmitir aqui no blog. Exercícios de altíssima intensidade feitos em curtos períodos, que lhe submetam a grandes doses de estresse e riscos, seguidos de repouso quase que completo promovem os melhores resultados, sem dúvidas, tanto para o físico como para o psicológico.

É disso que eu estou falando. Intensidade que te faça suar sangue. Link do vídeo: https://www.instagram.com/p/BRJbCl1jFan/?taken-by=larrywheels
Por causa da nossa natureza humana, de adorar e evoluir a partir da incerteza e da superação de estresses suportáveis, a nossa tendência de querer planejar tudo acaba sendo uma furada e a forma mais rápida para chegar a frustração e depressão. Colocamos muitas expectativas sobre coisas que na realidade são totalmente aleatórias e nos frustramos quando tudo dá errado. Concomitantemente a isso, não cuidamos para nos tornarmos mais robustos e antifrágies, pois afinal, um dos efeitos colaterais de se planejar tudo é se retirar os imprevistos pequenos que possam aparecer, e se fechar numa ilusão de segurança que atrofia o nosso ser. Evitar os imprevistos pequenos reduzirá quase que por completo a sua capacidade de perceber e resistir aos imprevistos grandes que com certeza virão. E ai meu amigo, quando eles chegam, vc estará derrotado. O erro do homem comum é achar que tudo na vida tem um propósito final e bem definido, que pode ser mensurado por cálculos e fórmulas decodificadas por algum intelectual de Harvard ou da USP ou algum pastor de alguma igreja qualquer.

Mas não meu amigo, a vida é muito mais aleatória e caótica do que talvez vc imagine, e aprender a lidar com isso é o que te fará ser um cara foda. Cuide para que vc se torne resistente a qualquer tipo de estresse que possa te acometer, e não para eliminar por meios artificiais toda e qualquer protuberância a adversidade. Como se faz isso? Se arriscando. Aprenda a gostar das incertezas e tire proveito disso. Pare de fazer cálculos e planos sobre tudo e aproveite a viagem. Metas devem ser apenas um plano de fundo altamente maleáveis, afinal, vc não sabe o que vem por ai. Ponto final.

Corridas de alta intensidade por curtos períodos de tempo, caminhadas em terrenos altamente acidentados, treinar com pesos absurdamente pesados da forma mais rápida possível, jejuar e banquetear, ser 1000% focado em alguma coisa a logo que resolver alguma questão não pensar em nada, ter um emprego estável e um que vc possa extravasar sua criatividade e liberdade, praticar alguma luta, saber a hora de vibrar e a hora de descansar, ser assertivo quando necessário e silencioso na maior parte do tempo, enfim, isso fará vc sair da média, do limbo, da vida cinzenta ao qual estamos submetidos. Não tente fazer um pouco de cada coisa e bem no fim, não fazer nada com amor, com vida, por medo de ser extremista e por acreditar que o "caminho do meio" é a melhor opção. NÃO É. A minha proposta é transitar entre esses dois extremos separadamente, aproveitando o máximo que cada um pode lhe oferecer. 

No próximo post dessa série falaremos sobre estoicismo, fiquem de olho, paspalhos.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Lições de Masculinidade com TYR

Resolvi trazer mais um texto falando da mitologia nórdica porque atualmente eu estou assistindo Vikings, e achando fascinante. Se você não conhece, não perca tempo em começar assistir quando tiver tempo. A forma de encarar a vida, a virilidade e a espiritualidade que é transmitida na série são extremamente motivadoras, e me fizeram ter novas perspectivas sobre a vida.

Como eu disse, a espiritualidade foi um dos pontos fundamentais para os Vikings, e conhecer melhor as suas divindades nos dará meios de entender de forma mais clara, como esse povo fantástico encarava a vida, além de é claro, aprimorar nossa existência como homens que somos (ou deveríamos ser). Hoje falaremos de Tyr.


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Por Jeremy Anderberg


Tyr é um nome bastante conhecido entre os povos escandinavos e entusiastas nórdicos, mas não possui muito reconhecimento “mainstream”. Isto provavelmente é devido ao fato de que ele não estrelou nenhum filme da Marvel (ainda), e porque há apenas um mito predominante sobre ele (que vamos tratar a seguir). Esta falta de histórias remanescentes centradas em Tyr é surpreendente, já que ele é o "porta-voz da justiça" e às vezes até chamado como mais ousado dos deuses nórdicos - aquele que inspira heroísmo e coragem. Com esse pedigree, seria normal pensar que haveria mais mitos em torno dele. Bem, muito provavelmente existiram.

Antes da era viking, o povo germânico do norte tinha um conjunto semelhante de deuses e deusas. Porém eles eram mais primitivos e não tão aperfeiçoados. Nesse panteão, Tyr era talvez o deus principal, e passava pelo nome Tiwaz. Ele era um dos deuses da guerra, equivalente ao Marte Romano (Ares grego). Como Tyr, suas características primárias eram honra, justiça e coragem. Na época dos Vikings, no entanto, a centralidade de Tyr/Tiwaz foi suplantada por Odin e Thor. Isso nos diz algo sobre as diferentes culturas. No mundo germânico do início e meados dos anos 100, a batalha era crucialmente importante. A coragem e a bravura na guerra eram algo profundamente fundamental para a vida de um homem. Quando os vikings ganharam destaque, essa fundação mudou um pouco.

 A coragem marcial era certamente ainda muito valorizada, mas os Nórdicos eram invasores e saqueadores em vez de soldados em um campo de batalha. Eles tomaram portos à beira-mar de surpresa com seus Dracars, e simplesmente esmagavam seus inimigos. Assim, um padrão que abrangesse sabedoria, inteligência e estratégia, juntamente com força pura, tomou posse – ou seja, as principais características de Odin e Thor. Assim Tyr ocupou um lugar secundário, relegado a ser um deus menor.

Como mencionei acima, entretanto, há um mito importante sobre ele que mostra seu caráter, e oferece uma grande lição para ambos os homens, Vikings e nós no mundo moderno.




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Loki - o malandro astuto - era pai de três seres gigantes e aterrorizantes: Jormungand - a serpente que rodeia o mundo, Hel - a deusa da morte, e Fenrir - o grande lobo. Os outros deuses tiveram um pressentimento terrível sobre estes descendentes de Loki, e tomaram providências para mantê-los à uma distância segura. Eles jogaram Jormungand no oceano, relegaram Hel para o submundo e mantiveram Fenrir em Asgard para que pudessem mantê-lo preso e ficar de olhos atentos nele. Mesmo quando o lobo era apenas um filhote, apenas Tyr teve a coragem de alimentar Fenrir. A besta cresceu e cresceu muito, e os deuses decidiram que não poderiam mais mantê-lo em sua casa. Conhecendo a destruição que Fenrir causaria se ele fosse libertado para vagar pelo mundo, eles decidiram tentar prendê-lo com várias correntes e cordas.

Para obter o consentimento de Fenrir, os deuses lhe disseram que essas correntes eram apenas maneiras de medir a sua força; Eles até bateram palmas e aplaudiram quando o lobo rompeu cada tentativa de prende-lo. Desesperados por uma solução, os deuses enviaram a palavra aos anões - os maiores artesãos do universo - para criar algo que nem mesmo Fenrir poderia se ver livre. Eles forjaram Gleipnir - uma corda que foi feita a partir do som de passos de um gato, a barba de uma mulher, as raízes de uma pedra, o sopro de um peixe, e a saliva de um pássaro. Como essas coisas não existem, é inútil lutar contra elas.

Quando os deuses apresentaram Gleipnir a Fenrir como mais um desafio de força, ele ficou desconfiado. A corda era muito leve e sedosa; como poderia segurá-lo? Estavam tramando alguma coisa. Então ele insistiu que não seria obrigado a menos que um dos deuses coloca-se uma mão em suas mandíbulas como um sinal de boa fé. Tyr - conhecendo bem as ramificações da sua decisão - foi o único deus a avançar. Fenrir estava preso e, claro, ceifou a mão de Tyr como retribuição. Daí em diante, Tyr carregava uma incapacidade permanente e uma cicatriz que falava de sua bravura por causa do mundo inteiro.




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Você deve recordar que Odin sacrificou um olho para ganhar sabedoria (logo falaremos de Odin aqui no blog, fiquem atentos paspalhos). Era, em muitos aspectos, uma busca egoísta - com certeza, outros se beneficiariam, mas ele buscava principalmente o conhecimento porque tinha um desejo voraz por ele. Tyr também se sacrificou fisicamente, mas foi em grande parte por causa da sua comunidade. Sim, o acorrentamento de Fenrir obviamente também manteve a segurança de Tyr, mas suas motivações foram direcionadas para ajudar seus pares, bem como os seres humanos que residiam abaixo de Asgard em Midgard.

Sacrifício para melhorar você mesmo é certamente uma coisa boa. Porém, melhor ainda é sacrificar-se de uma maneira que TAMBÉM beneficie os outros. Essa é a essência do LEGADO. Ao abrir mão da mão, Tyr tornou o mundo mais seguro e ganhou um lugar de honra entre todos os deuses. Ele ganhou o respeito de seus pares, e foi elevado entre eles como sendo o mais corajoso de todos. Claro, Thor era o mais forte, mas quanto você é corajoso quando sua força é inigualável?





Assim como os cristãos olham e extraem força do sacrifício de Cristo, os Vikings (e até os seguidores modernos da antiga religião nórdica) olharam para Tyr da mesma maneira. Seu exemplo lhes dava coragem e bravura. Se Tyr pudia sacrificar sua mão - algo crucialmente importante para um deus da guerra -, certamente até mesmo o povo comum poderia fazer pequenos sacrifícios por causa de seus semelhantes.

Servir outras pessoas é fácil quando isso se encaixa em nossa programação e nos nossos talentos. Muito mais difícil é servir nossa comunidade quando somos incumbidos de fazer algo que não gostamos, ou que não somos bons, ou que sabemos que trará alguma dor financeira ou física. E esse último é o mais difícil, não é? O sacrifício físico dói de maneira muito literal, e pode ter consequências fisiológicas (e até mesmo psicológicas) duradouras. E ainda é um imperativo moral que os homens têm suportado por milhares de anos. Os homens das cavernas arriscavam suas vidas para ir a caça para poder jantar, os exploradores e os homens das fronteiras atravessaram extensões grandes no mar e na terra para encontrar uma vida melhor (e muitos não viveram para ver isso), e hoje, os oficiais - na sua grande maioria homens – põe seu bem-estar em risco todos os dias.

Oportunidades para fazer sacrifícios físicos nem sempre surgem em nosso mundo moderno geralmente confortável e seguro, mas um homem deve estar preparado se/quando tal exigência surgir. Tyr certamente não queria perder a mão para Fenrir naquele dia, mas quando a comunidade estava em extrema necessidade, ele deu um passo à frente.

Além do sacrifício físico, existem outras maneiras de servir aqueles que nos rodeiam em circunstâncias difíceis. Você será o tipo de homem que serve apenas quando é fácil e conveniente? Ou você, como Tyr, estende voluntariamente uma mão, mesmo quando você sabe que vai lhe custar alguma coisa?