quarta-feira, 3 de maio de 2017

Soldados da besta: os berserkers e a expansão viking


Furor teutonicus ("Fúria teutônica"). - (Denominação feita pelos cronistas romanos sobre o impulso dos germânicos em combate).


Wodan… id est furor ("Wotan... isso significa fúria"). - (Bispo Adam de Bremen, século XI. A ira é o "quarto pecado" cristão)


A furore normanorum libera nos, Domine. ("Da fúria dos nórdicos livrai-nos, Senhor"). - (Oração medieval).


"O número de barcos está crescendo. O fluxo interminável de vikings continua a aumentar. Em todo lugar os cristãos são vítimas de massacres, incêndios e saques. Os vikings conquistam tudo em seu caminho. Ninguém pode lidar com eles. Eles tomaram Bordéus, Périgord, Limoges, Angoulême e Toulouse. Angers, Tours e Orleães foram destruídas. Uma incontável frota vela Sena adiante e o mal domina o país. Rouen ficou deserta, saqueada e queimada. Paris, Beauvais e Meaux foram conquistadas; as fortificações de Melun foram derrubadas; Chartres está ocupada, Evreux e Bayeux saqueadas e muitas outras cidades sitiadas". - (Ermenary de Noirmoutier, França, década de 860)

A história dos povos indo-europeus ensina-nos que toda grande obra vem em primeiro lugar do bárbaro "autêntico" e incontaminado, e das alianças de guerreiros ou männerbunden, que são as únicos capazes de mudar o mundo e o tempo através da ação direta. Neste escrito, os mais notáveis representantes do bárbaro indo-europeu e das alianças de guerreiros serão discutidos.




A IRA SAGRADA NA TRADIÇÃO INDO-EUROPEIA


De onde procedia a lendária e furiosa força dos antigos indo-europeus, nossos antepassados, tão unidos a seus deuses e à Natureza? Na antiguidade, há numerosas referências a essa força, que é descrita como uma espécie de fúria. A ira divina é todo um arquétipo: os iranianos chamavam aesjma à fúria sagrada, e os indo-iranianos, ishmin. Na Índia também se descrevia o mada — a embriaguez divina produzida pela bebida mística soma. Na Grécia, encontramos o menon ou menis, a ira apaixonada que só Aquiles, o maior guerreiro de todos os tempos, possuía. Também vem da Grécia a "cólera divina de Dionísio", que inicialmente tinha a ver com a glorificação dos instintos relacionados ao culto da vida ascendente. A mania, ou seja, a explosão do furor dionisíaco, teria levado em uma fuga para a alma dos possuídos em direção às Montanhas Trácias, que representavam uma Hélade primitiva, ancestral e bárbara. No mundo celta nós nos encontramos com o herói irlandês Cúchulainn, do qual se apoderava do warp-spasm ("espasmo que deforma", ou espasmo de fúria) em momentos de guerra, dando-lhe um impulso sobrenatural. Isso, enfim, nos mostra que a ira sagrada não era exclusivamente uma herança germânica, mas procedia de uma fonte ainda mais antiga, e que em todos os povos indo-europeus havia círculos masculinos que cultivavam a força da fúria de combate.

Os germânicos, um povo indo-europeu do sul da Escandinávia, foram talvez os últimos europeus a cultivar abertamente a ira sagrada de forma tribal. O nome do deus Wotan refere-se diretamente à fúria. No alemão moderno, wut significa "ira", no inglês moderno, wrath tem o mesmo significado, e no gótico, wods significava "possuído". Wotan seria, então, a "ira de An". An é uma sílaba arquetípica; assim os sumérios chamavam sua divindade principal.

A ira divina não era então um conceito novo, nem algo que desapareceu. Quando algo sagrado, uma canção, uma paisagem, uma cerimônia, uma paixão, uma pessoa, uma situação, nos lembram um certo instinto interior, o que emerge é um tipo muito especial de sentimento: a união de fúria e alegria, o sentimento que faz com que os guerreiros de todos os tempos alcem suas armas ao céu e lancem seus gritos ao vento, o sentimento dionisíaco que está na música e nas canções, que nos faz sentir mais vivos e mais poderosos, o glorioso sentimento de honra, orgulho e contato com o Eterno, que acelera nosso coração e faz com que fiquemos arrepiados, o sentimento que sabemos que só um homem europeu pode sentir. "Almas ardendo", chamou Leon Degrelle. "Fogo no sangue", podemos chamar quando falamos de ocasiões em que "ferve o sangue". É a chama espiritual que se opõe ao avanço do gelo materialista e niilista, o "ardor guerreiro" do qual até hoje é cantado no hino da Infantaria.

O PAPEL DOS BERSERKERS NO MUNDO GERMÂNICO






Os berserkers estão associados à germanidade, ou seja, ao conjunto de tribos germânicas. Estas incluem escandinavos, anglo-saxões, holandeses e alemães. Situamos em uma época em que os vikings, ainda pagãos, aterrorizaram seriamente uma Europa castrada pelo Cristianismo, e em que o Império Romano desapareceu por séculos. Geralmente, os viking desprezavam os cristãos e os cristãos temiam os vikings. Em uma ocasião, alguns vikings sequestraram um bispo. Quando não obtiveram o resgate por ele, mataram-no batendo-o com crânios animais. Eram almas ainda selvagens e incontaminadas, possuídas por aquela mentalidade brutal e vigorosa tão característica da Natureza.

Entre todos esses bárbaros, os mais fieis guardiões da fúria sagrada eram os bersekers. Esta palavra sobreviveu no vocabulário das nações que conheceram esses homens: na Inglaterra, berseker ainda designa uma pessoa de caráter selvagem ou indomável, ou um estado de raiva irracional. Berserkr pode ser traduzido como "camisa do urso" (bear shirt no inglês moderno), ou "sem camisa" (bare shirt). Vem do fato que os bersekers lutavam ataviados com peles do urso, e às vezes semi-despidos ou despidos.

Entre os antigos, todo homem era um guerreiro. No entanto, não era durante toda a sua vida, mas que era chamado em tempos turbulentos, enquanto que na paz dedicado-se a seus trabalhos de campo ou domínio. Este era o caso em todo o mundo antigo — exceto o Egito, Esparta, Roma, o Império Bizantino e algumas outras exceções, que tinham exércitos "profissionais". Na germanidade, entretanto, havia uma casta curiosa aparte, os artistas da guerra, considerados tocados pela Divindade.

Alguns guerreiros selecionados viviam em pequenas comunidades, isoladas dos centros populacionais e lideradas por um sacerdote do culto de Odin/Woden/Wotan de acordo com a região, um bardo, um gothi (druida), um vikti (mestre das runas) ou outro Tipo de xamã, bruxa ou mago tribal. Eles formavam seitas autênticas no mundo germânico, como parte da tradição das männerbunden, uniões de homens, alianças de guerreiros, irmandades militares ou, como o romeno Mircea Eliade os chamou, "sociedades secretas de homens".

Nas famílias da aristocracia alemã, havia uma tradição semelhante à dos oráculos na Grécia: quando a criança nascia, um sacerdote realizava um ritual através do qual seu destino podia ser vislumbrado. Podemos supor que alguns pais dos bebês mais promissores foram oferecidos para criá-los em uma comunidade "militar" deste tipo. Isso não aconteceria imediatamente, mas em uma idade um pouco mais tarde. Quando a idade chegava, o xamã correspondente seria apresentado para levar a criança para sua nova vida na floresta, onde ele iria aprender a adquirir os instintos do predador.

Desde a tenra idade, ao futuro berseker era colocado no pescoço um anel de ferro que estão relacionados com as torques celtas e não seria removido até que matasse a sua primeira vítima. O tipo de instrução dada a eles não é completamente conhecido, mas basicamente seria uma espécie de acampamento militar e ascético no estilo espartano, no qual eram ensinados a lidar com armas, em combate corpo a corpo e na vida na Natureza, além de adquirir dureza e resistência contra todos os tipos de privação, no âmbito de uma vida de caçador-coletor. Eles também aprendeiam técnicas e danças tribais projetadas para gerar grandes quantidades de adrenalina. Ao longo dos anos, eles estavam construindo o corpo do guerreiro, acostumado à fadiga, à privação e ao sofrimento. E tudo isso combinado com alguma forma desconhecida de yoga: uma das habilidades que eles conseguiam através de seu ascetismo misterioso era, sentado na neve durante uma nevada ou nevasca, derreter com seu próprio calor interno a neve que caia sobre eles. Este teste avançado ocorre, ainda hoje, entre alguns lamas tibetanos (o exercício de respiração que eles usam para gerar calor é chamado de thumo ou "fogo interior"), e nas lendas celtas, um dos atributos atribuídos aos grandes heróis eram derreter a neve a cem pés de distância (30 m) com seu próprio calor corporal. Um caso interessante, que data da Irlanda no ano 700 AEC, é o do herói folclórico Cúchulain. A lenda diz que, depois de uma batalha, Cúchulain voltou para sua cidade, mesmo em pleno frenesi de combate. Seus compatriotas, temendo que ele matasse toda a cidade, lançaram-se sobre ele e colocaram-no em um barril de água fria. Pelo ardor do herói, a água quebrou as tábuas de madeira e tiras de metal, e estourou o barril em mil pedaços, como "o barulho de nozes quebrando". No segundo barril de água fria, Cúchulain produziu grandes bolhas como punhos. E no terceiro, produziu um furúnculo no qual alguns homens podiam suportar submerger suas mãos e outros não. Isso inevitavelmente nos lembra ao Herácles grego, que teve que correr para as águas das Termópilas para saciar um ataque de fogo interno, transformando as águas do lugar em fontes termais.

Os bersekers recebiam iniciação em um culto que poderia ser chamado de mistérios de Odin, o padrão desses guerreiros. Os bersekers eram muitas vezes chamados de "homens de Odin" ou "lobos de Odin" pelo seu culto predominante a esta divindade, denominado "pai de todos". Os bersekers, portanto, poderiam ser descritos como seitas de guerreiros de elite, severamente treinados desde cedo nas artes da luta e da alquimia interior, e iniciados num culto de Odin por algum tipo de ritual extremamente violento. Mircea Eliade especificou que:

"Não se torna "berserkr" apenas pela bravura, pela força física ou pela dureza, mas também por uma experiência mágico-religiosa que mudava radicalmente o modo de ser do jovem guerreiro. Ele devia transmutar sua humanidade através de uma aproximação de fúria agressiva e aterrorizante, que assimilava-o aos carniceiros furiosos. "Ele esquentava" em grau extremo, transportado por uma força misteriosa, desumana e irresistível, que seu impulso combativo fez emergir das profundezas de seu ser".

Em combate, os bersekers pareciam aterrorizantes para seus inimigos. Vestidos com peles de urso ou de lobo (caso em que eram chamados ulfhednar ou ulfsark, "pele de lobo"), nus ou pintados de preto, iam em batalha sempre em grupos de doze, gritando como possuídos, espumando pela boca e sendo imune às feridas mais terríveis.

O grupo de doze homens (mais o líder ou protegido, o décimo terceiro) é recorrente, não só nas diversas mitologias indo-europeias, mas também na vida quotidiana dos germânicos, e representantes dos círculos seletos. Doze eram os homens que normalmente eram requeridos para levar a cabo uma missão sagrada. Doze eram os representantes do Thing (Conselho) entre os povos nórdicos.  Doze eram as testemunhas (jurados) que se apresentavam em certos casos de justiça. Doze eram os representantes entre um grupo numeroso que eram convidados para uma festa. E, como todos sabemos, doze eram os apóstolos do plágio judeu de Cristo, doze eram os cavaleiros seletos da Távola Redonda dos Ciclos Arturianos, assim como doze são os raios que partem do ponto central no símbolo arquétipo do sol negro. 


Capacete viking com máscara de malha para proteger o rosto. A fantasia de capacetes com chifres vem de uma lenda negra européia. Foram os celtas (e muitos cavaleiros medievais) que usavam capacetes com chifres, e muitas vezes mais como ornamentos cerimoniais do que como capacetes de combate.

Na Saga dos Inglingos (Capítulo VI), fala-se deles, dizendo:

"Os homens de Odin marcham sem cotas de malha, e eram loucos como cães ou lobos. Mordiam seus escudos, e eram fortes como touros ou ursos selvagens. Matavam a seus inimigos com um só golpe, e nem o fogo ou aço podia detê-los. É isso que chamam de fúria do berserkers".

No Hrafnsmál, o escaldo Thorbjörn Hornklofi os descreve no combate:

"Lá os bersekers gritavam — a batalha foi desencadeada —, os peles de lobo uivavam selvagemente, as lanças assobiavam (no ar)... peles de lobo, eles eram chamados. Eles são vistos agindo, seus escudos sangrentos. As espadas rugiram quando chegaram à batalha. O rei sábio na luta é feito para proteger por heróis rudes que levantam seus escudos".

O BERSERKERGANG OU POSSESSÃO 





Antes da batalha, os bersekers entravam juntos em um transe chamado berserksgangr ou berserkergang. Este transe era processo de possessão, para o qual nem todo mundo estava preparado, porque sua energia poderia destruir o corpo do profano. De acordo com a tradição escandinava, tal estado de êxtase começava com um calafrio sinistro que percorria o corpo do possuído e o deixava ouriçado e arrepiado. Isto era seguido pela contração muscular, um tremor premonitório, aumento da pressão arterial e da tensão, e uma série de tiques nervosos no rosto e pescoço. A temperatura corporal começava a subir. As narinas dilatavam. A mandíbula se constringia e a boca se contraía em uma careta psicótica revelando os dentes. Então vinha um inquietante rechinar dos dentes. O rosto inchava e mudava de cor, terminando em um tom roxo. Começava a espumar pela boca, grunhir, rugir e gritar como animais selvagens, a morder as bordas de seus escudos, golpear seus capacetes e seus escudos com suas armas e rasgar suas roupas, invadidos por uma febra que tomava posse deles e os transformava em uma besta, seu cego instrumento. Assistir a tal transformação devia ser algo realmente alarmante e angustiante, evocando o pânico mais urgente. Era uma transformação iniciática em toda regra, e alguns viram nela a origem das lendas dos lobisomens.




Após este processo, os bersekers recebiam o Odr ou Od (chamado Wut na Germânia e Wod na Inglaterra), a inspiração que Odin concedia a alguns guerreiros, iniciados e poetas, tocando-os com a ponta de sua lança Gugnir ("estremecedora"). Com isso se transformavam em um furioso turbilhão de sangue e metal.

A força física do "inspirado" pela febre Od aumentava de forma sobre-humana e inexplicável, e também aumentava sua resistência, sua agressividade e fanatismo combativo. A dor, o medo ou a fadiga desapareciam, e o que os substituía era uma sensação inebriante de vontade, poder imparável e desejo de destruir, matar, aniquilar e derrubar. Uma boa referência à versão celta do berserkergang, podemos encontrar no "Táin Bó Cúailnge", que descreve a transformação do herói Cúchulain antes das batalhas:

"O espasmo de fúria apoderou-se dele: parecia que cada fio de cabelo estava ouriçado na cabeça, pois todos os fios estavam vertical, e era possível jurar que um ponto de fogo coroava a ponta de cada fio. Um de seus olhos fechou até que não ficasse maior do que o buraco de uma agulha, enquanto o outro abriu até se tornar tão grande quanto uma copa. Suas mandíbulas arreganharam até suas orelhas, e escancarou os dentes até mostrar suas gengivas. O halo do herói subiu da coroa de sua cabeça".

Os bersekers passavam a lutar furiosamente sem se preocupar em absoluto com sua própria vida ou segurança física. Muitos preferiam levar uma espada e um machado em vez de uma única arma com o escudo. Em grupos de doze, eles avançavam ferozmente contra o inimigo, independentemente da sua inferioridade numérica, e as feridas que matariam qualquer pessoa não os agitaram nem um pouco. Em casos de defesa contra multidões esmagadoras, formavam um círculo impenetrável do qual batiam até a morte do último homem.

Se imaginarmos a aparência daqueles homens carregados de músculos, veias, nervos e tendões, com os rostos torcidos sob a pele da besta, os fanáticos olhos claros arregalados e brilhando com aquele acies oculorum que Júlio César e Tácito observaram entre os guerreiros germânicos; os dentes cerrados com fúria e espumando, salpicados de sangue inimigo... nós entenderemos imediatamente que aqueles guerreiros não tinham nada a ver com o homem ocidental moderno. Estes bersekers eram do mesmo sangue que muitos europeus modernos, mas eram homens que viviam para a guerra, enquanto o ocidental médio de nossos dias é um afeminado mole que vive para a paz e, em sua miopia, persiste em acreditar que sabe tudo sobre o mundo e a vida.

O Wut, Wode, Od ou berserkergang era um transe terrivelmente intenso e violento, no qual o controle e a razão eram completamente perdidos, e em que a besta era libertada de suas correntes de ferro para desabafar sua claustrofobia e cavalgar na gloriosa e desenfreada liberdade através da floresta escura e borrada, sem responsabilidades, sem laços, sem limites e sem leis. Não se tratava apenas de deixar aflorar a besta interior, mas de deixar-se possuir pela divindade absoluta e externa. O corpo do guerreiro, nas mãos dessas forças tempestuosas, e totalmente desconectado da mente racional, era um simples fantoche que dificilmente poderia lidar com tanta raiva.

Os afetados poderiam ficar durante horas e mesmo dias lutando da maneira mais furiosa e amarga sem parar um único momento. De fato, graças à sua brutal contribuição, as batalhas terminavam muito cedo, e os bersekers não conseguiam parar de lutar, precisando exalar sua fúria, correr sem parar de gritar e descarregando suas armas contra árvores, pedras, animais ou mesmo pessoas. Atacando membros de seu próprio exército (embora os bersekers aparentemente nunca se atacassem), já que nesses estados eles não distinguiam entre amigos e inimigos.

No entanto, quando o berserkergang passava, eles caíam em um estado de fraqueza total, em que eles eram incapazes de defender-se ou mesmo de se levantar. Esta ressaca durava vários dias, em que o guerreiro tinha que ficar de cama. De acordo com as sagas escandinavas, muitas vezes seus inimigos costumavam matá-los nesses momentos. Alguns bersekers, sem ter recebido nenhuma ferida, morriam após a batalha pelo esforço sobre-humano realizado: seus corpos não estavam preparados para ser instrumentos da fúria divina — pelo menos por um tempo muito longo. A expectativa de vida era encurtada por muitos anos após cada "sessão" de berserkergang.

Outro atributo atribuído à posse do berserkergang era "desativar as armas do inimigo", o que provavelmente implicava que os bersekers eram tão rápidos, tão invulneráveis, e inspiravam tanto terror em seus inimigos eles pareciam ficar paralisados de medo ou pelos golpes ou seus golpes eram ineficazes. Da mesma forma, a aura de ira desencadeada por um grupo de bersekers marchando, fosse "sentida" a uma grande distância pelos soldados inimigos como se fosse uma onda de explosão, como o historiador romano Tácito escreveu, falando de uma männerbund germânica cujos membros eram conhecidos como harii — palavra que entre os iranianos e indo-iranianos significava "os loiros", e que está relacionada com o Einherjar (Aina-Hariya) de Valhala:

"Os harii além do poder que têm superior a estes povos há pouco enumerados, são temíveis (insidiosos), e aumentam com artifício o seu fero aspecto, segundo as circunstâncias do momento: pretos são os seus escudos, pintados seus corpos são; escolhem as noites para os combates e pelo pavor e sombra do tenebroso exército infundem terror, nenhum inimigo resiste ao estranho e infernal aspecto: porque em todos os combates primeiramente são vencidos os olhos (pela visão)".

Observamos aqui a importância do simbolismo do negro para esses homens. A noite é essencial neste simbolismo, porque simboliza a idade das trevas, este inverno escuro no qual nascemos para o bem ou para o mal. O dia, com os raios do Sol, o ouro, é propício para a vontade, para o arrojo, para a luta consciente, para erguer uma cidade, para cravar a lança no inimigo, para afundar a espada na terra — em uma palavra, para possuir, para tomar. O dia representa a mão direita, a ordem, o ritual e a "via seca". A noite, no entanto, com a escuridão, a Lua, as estrelas, o eclipse, a água e o prata, é mais propícia à magia, a um certo caos, para a revolução, para destruir uma cidade, a deixar-se ser tomado, ser possuído, virar lobisomem, para alçar as armas ao céu em vez de fundi-las na terra, e portanto, está mais relacionada com a mão esquerda e a "via úmida".




Uma vez que o homem não é um deus, ele deve se esforçar para se tornar, pelo menos, um instrumento cego dos deuses. Para isso, ele deve esvaziar-se de toda individualidade egocêntrica para permitir o arrebato divino, isto é, "encorajar Odin a tocá-lo com a ponta de sua lança". E a primeira maneira de conseguir isso era instituindo uma severa disciplina, ascetismo e organização.

Quem havia sido possuído uma vez pelo berserkergang ficava marcado por isso. Depois disso, o transe não só vinha a ser invocado antes do combate, mas também poderia cair sobre ele de repente em momentos de paz e silêncio, transformando-o em questão de segundos em uma bola de ódio, adrenalina e gritos subumanos em busca de destruição.

Assim, na Saga de Egil descreve como o pai de Egil, um berseker, de repente sofreu posse do berserkergang enquanto pacificamente jogava um jogo de bola com seu filho e outro menino. O guerreiro, horrivelmente agitado e rugindo como um animal, agarrou o amigo de seu filho, levantou-o no ar e o despedaçou ao chão com tanta força que morreu instantaneamente com todos os ossos quebrados em seu corpo. Então ele se voltou para seu próprio filho, mas este foi salvo por uma serva que, por sua vez, caiu morta perante o possuído. Nas sagas, as histórias de bersekers são salpicadas de tragédias em que o berserkergang descontrolado se volta contra os seres mais próximos do possuído. Se tivéssemos que encontrar um equivalente grego, teríamos isso na figura de Herácles, que durante um ataque de raiva matou sua própria esposa Mégara e os dois filhos que teve com ela, o que resultou em seus doze trabalhos como "penitência" para pagar seu pecado.

No âmbito da mitologia temos muitos exemplos da fúria dos berserkers. A saga do rei Hrólfr Kraki fala do herói berserker Bödvar Bjarki, que combatia pelo dito rei e que em uma batalha se transformou em um urso. Esse urso matou mais inimigos que os cinco campeões seletos do rei. As flechas e armas o atingem, mas ele derrubou homens e cavalos das forças inimigas, desvirgando com os dentes e as garras qualquer coisa que se entrepusesse em seu caminho, de tal forma que o pânico se apoderou do exército inimigo, desagregando suas fileiras caoticamente. Essa lenda — que não deixa de ser isso, uma lenda — representa a fama que havia adquirido os berserkers no Norte, como grupos reduzidos mas, por sua bravura, perfeitamente capazes de decidir o resultado de uma grande batalha.





Agora, qual é a explicação para esses fatos, que vão muito além do normal? Em nossos dias, alguns que sempre olham com uma desconfiança ressentida qualquer manifestação de força e saúde, querem rebaixar o berserkrgang. Para muitos, os berserkers eram simplesmente comunidades de epilépticos, esquizofrênicos ou então, doentes mentais. Essa explicação ridícula não satisfaz em absoluto, dado que a epilepsia ou a esquizofrenia são patologias cujos efeitos não podem ser "programados" para uma batalha tal como faziam os berserkers, e sob seus ataques é impossível realizar ações valorosas ou mostrar heroísmo bélico. Um epiléptico faz mais danos a si mesmo mordendo a língua e caindo no chão que destroçando fileiras de um número de exército inimigos, e também pode ser reduzido por uma só pessoa. Peculiarmente, outros têm sugerido que os berserkers eram alianças de indivíduos que haviam sofrido mutações genéticas, ou eram os sobreviventes de uma antiga linhagem germânica desparecida, organizados em forma de comunidades-seitas. Inclusive se pode ter em conta a explicação "xamânica", segundo o qual os berserkers eram possuídos pelo espirito totêmico de um urso ou lobo.

Como visto, as razões são tão variadas como diversas são as pessoas que se metem a opinar a respeito. A explicação mais conhecida, no entanto, é a de que esses homens combatiam drogados. Segundo tal teoria, os berserkers ingeriam um cogumelo chamado amanita muscária (caule de cogumelo branco e tampão vermelho com manchas brancas que abunda entre os bosques de bétulas do norte da Europa), ou alguma mistura preparada com esse cogumelo. Esse cogumelo tem uma toxicidade elevada graças a um alcaloide chamado muscarina, que altera completamente a consciência e a percepção. Atualmente ele foi catalogado como "venenoso", dado que em doses elevadas se torna fatal. A teoria do amanita muscária foi elaborada em 1784 pelo professor sueco Samual Ödman (que sabia da utilização de cogumelos pelos xamãs siberianos) e foi descrita até certo ponto porque a mitologia germânica explicava que, segundo Sleipnir — o cavalo de Odin, de oito patas — escorria uma espuma vermelha que, ao chegar ao solo, se transformava no cogumelo. Outras teorias de drogas sugerem cerveja com meimendro preto ou cerveja contaminadas com esporão-do-centeio.

amanita muscária

A teoria das drogas não é convivente, e entre as citadas somente a dos xamãs siberianos e o cavalo de Odin, são as únicas provas que temos para corroborar tal tese. Por outro lado, a simples ingestão de uma droga não garante por si mesma um arrebato de devastação e frenesi de guerreiro como o que experimentavam os berserkers. Se é que ingeriam efetivamente uma droga, havia sido após uma longa e dura preparação guerreira e ascética que lhes houvesse feito resistir a possessão do Od, com doses cuidadosamente pensadas por autênticos conhecedores de seus efeitos, e com ritos destinados para realçar e canalizar certos aspectos relacionados com a substância. Não é mais lógico, então, a teoria de que o berserkergang se desencadeava mediante uma espécie de "ordem hipnótica programada" que foi armazenada no subconsciente através de uma violenta e traumática iniciação ritual, e que era "ativado" automaticamente escutando o ruído das armas, os gritos de batalha e os cânticos que invocavam a fúria de Odin, dando lugar a irresistível ânsia de estar no centro do combate, ali onde a luta era mais feroz e a fúria mais densa.  Em qualquer caso, o mais provável é que as técnicas de realização do berserkrgang foram mentais ou "psicológicas", através de processos hipnóticos e magnéticos catalisados em poderosos rituais, e seguramente amplificados através de danças tribais, movimentos, técnicas e respirações capazes de gerar enormes quantidades de adrenalina em pouco tempo. E se as drogas estavam realmente presentes, teria sido para facilitar a possessão, mas em nenhum caso eram as responsáveis direta do incrível rendimento combativo que se desencadeava com tal possessão.

As substâncias liberadas pelas drogas podem ser estimuladas no corpo mediante práticas de depuração. Nas tradições iniciáticas, quando o homem obtém controle absoluto sobre seu corpo, pode estimular seus órgãos, suas glândulas, a vontade, liberando as substâncias que deseja e causando os efeitos que quiser, apenas por saber materializar o pensamento. O ideal é que as drogas que se utilizem procedam de nosso próprio interior, pois, realmente, as drogas já estão dentro de nós — como por exemplo a testosterona, a adrenalina, a dopamina, as feromonas e as endorfinas —, no entanto, muitas vezes necessitam de um estímulo para serem liberadas. O uso religioso das drogas apareceu numa época em que a maioria de pessoas não eram mais capazes de entrar em transe de modo natural. E em qualquer caso a ingestão de drogas com fins religiosos se realizava sob um severo controle e rito, sobre indivíduos preparados física, mental e espiritualmente para aguentar seus efeitos, e tudo guardado por sábios das ciências naturais, conhecedores das plantas, dos animais e da Terra.

Durante as situações de grande estresse e violência, o corpo se perturbava. Aumenta o pulso, a respiração acelera e a adrenalina sobe como uma chama. Ocorre uma série de respostas fisiológicas que que em si mesmas não são boas nem más, mas sim que a natureza dependerá da forma que serão utilizadas. Os guerreiros convencionais "cavalheirescos", tentam dominar a torrente de reações e sensações que lhes causava no combate, de modo que, mantendo sua vontade sobre elas, conservavam o "sangue frio" e a consciência intacta. Os berserkers, em contrapartida, pareciam fazer o contrário: se deixavam levar pelas reações físicas antes da luta, de modo que estas tomam posse deles e acabam por converte-los em bestas que "viam tudo em vermelho". Aflorava neles uma vontade totalmente independente da consciência. Somente os melhores eram capazes de deixar-se levar de verdade pelo torrente de ferocidade, soltar seus impulsos selvagemente, perder o controle, romper todo o laço e toda atadura para deixar a besta andar livremente, saborear o profundo e primitivo prazer da matança, do sangue, da dominação, da possessão e da destruição, submergir todo seu ser no caos absoluto e sobreviver para contar — embora é bastante provável que depois sequer lembra-se claramente o que aconteceu.

Tudo isso é apenas um barbarismo selvagem? Sim, mas forma parte da natureza humana, gostemos ou não. Virar as costas para esses assuntos só serve para que logo nos peguem desprevenidos. Ignorar que temos um lado animal é como mutilar o espírito e sabotar o corpo. No entanto, aceitar isso e dominá-lo equivale a entrar em reconciliação com nós mesmos. 

Enquanto se fantasiar com peles de animais simbólicos, obedece a uma tradição xamânica, totêmica e pagã até a medula, e prestaremos a atenção porque expressa uma ideia muito importante. O lobo e o urso são símbolos da masculinidade livre, pura, selvagem, fértil e desenfreada.  A pele do urso ou do lobo eram conseguidas combatendo com o animal corpo a corpo e o matando, do qual era uma prova iniciática dos berserkers, igual entre alguns celtas era matar um javali. Aos berserkers eram sugeridos de que se apoderavam das qualidades totêmicas inerentes ao animal em questão — urso ou lobo —, ganhando sua força e ferocidade, possuindo suas qualidades como se tivessem conquistado para si, e adotando a pele da besta vencida como símbolo desta transformação. Como símbolo de prestígio, muitos berserkers adicionavam a palavra björn (urso) a seus nomes, resultando em nomes como Arinbjörn, Esbjörn, Gerbjörn, Gunbjörn ou Thorbjörn. O lobo (proto-germânico *ulf) resultou em nomes como Adolf, Rudolf, Hrolf ou Ingolf. Mircea Eliade disse em relação à apropriação das peles de animais:

"Torna-se berserkr após uma iniciação, com provas especificamente guerreiras. Assim, por exemplo, junto a tribos germânicas como os Chatt, nos diz Tácito, o postulante não cortava o cabelo ou fazia a barba antes de haver matado um inimigo. Entre os Taifali, o candidato deveria abater um javali ou um urso, e entre os Heruli deveria combater sem armas. Através destas provas, o postulante se apropriava do modo de ser do animal: tornava-se um guerreiro respeitável na medida em que se comportasse como uma fera predadora. Se transformava em super-homem porque conseguia assimilar a força mágico-religiosa compartilhada entre os (animais) carniceiros enraivecidos". 





Novamente, isso pode ser taxado como primitivo e bárbaro, mas os romanos também o faziam, como podemos ver nos porta-estandartes das legiões, que se cobriam com peles de lobos, ursos ou felinos selvagens (como povo indo-europeu bárbaro, os antigos itálicos, antepassados dos latinos, deviam ter sua própria versão do "guerreiro possuído"). Também o herói grego Hércules, após combater com o monstruoso leão de Nemeia e matá-lo com suas próprias mãos, se apoderou de sua pele. O irlandês Cú Chulainn matou um monstruoso mastim e ocupou seu lugar como guardião do Ulster. Siegfried, o herói da mitologia nórdica, se banhou no sangue do dragão Fafnir, matado por ele, e com isso tornou-se quase invencível. Nos mistérios de Mitra, um restrito culto militar masculino e praticado pelas legiões de Roma, os iniciados se cobriam de sangue do touro sacrificado numa cerimônia de alto poder sugestivo. Na mesma linha de exemplos relacionados, temos outros casos que se referem a "segundas peles" e banhos endurecedores. Aquiles foi banhado por sua mãe nas águas do escuro rio Estige que o tornou invulnerável. A deusa céltica Ceridwen possuía um caldeirão mágico que dava saúde, força e sabedoria para aqueles que se banhassem nele. As mães espartanas banhavam a seus recém nascidos no vinho, pois pensavam que isso endureceria aos fortes e acabaria com os fracos. As águas do Ganges, mesmo atualmente, são consideradas salutares para os hinduístas. A ideia por trás de todos esses mitos era que expor-se a forças destrutivas, telúricas e escuras ajudariam o "invólucro" do iniciado a protegê-lo no futuro contra experiências similares no campo da morte e do sofrimento.



Tudo isso simbolizava, ademais, a luta do espírito para tomar controle da besta telúrica pelo qual revestia o vencedor, adentrando em sua carcaça vazia, possuindo-a, transformando-se em sua imagem e semelhança e, por sua vez, mudando sua personalidade por uma distinta, entrando numa nova fase e simbolizando a transição para uma nova forma de perceber o mundo e de ver as coisas — uma nova pele, uma nova couraça, um novo escudo, uma nova percepção do mundo através dos sentidos da besta — , tomar posse da matéria e, por dentro, transformá-la a imagem e semelhança do espirito. Essa filosofia de possessão é um traço característico das sociedades guerreiras iniciáticas.

Aqueles berserkers que lutavam nus se relacionavam com a conduta dos primeiros celtas, que também faziam isso (na verdade, a figura do "guerreiro possuído" também foi recorrente entre os celtas). Seus corpos, curtidos desde a infância, não sentiam frio mesmo que estivessem nus sobre a neve. Como mencionado, alguns também se pintavam de preto, reivindicando o lado escuro e feroz, próprio das eras em que a luz está perseguida. Já vimos como o romano Tácito descreveu aos harii que, pintados e com escudos pretos, se lançavam ao combate com ferocidade sobre-humana. Para os antigos indo-iranianos, o deus Vishnu, em épocas sombrias, se vestia com uma armadura escura para combater os demônios, ocultando o mundo seu aspecto luminoso; mas no amanhecer da idade do ouro, se despojaria de sua couraça negra e o mundo conheceria seu luminoso aspecto interior. No Irã, a männerbund dos mairya vestia armaduras pretas e carregava bandeiras pretas. Simbolicamente, diziam que matavam ao dragão, e geralmente agiam durante a noite. Os cátaros se vestiam com longas túnicas pretas, e seus estandartes religiosos eram pretos (alguns com uma cruz céltica branca em seu interior). Os SS também se vestiram de preto e usaram bandeiras pretas, além da macabra totenkopf. Tudo isso simbolizava a demonstração, por assim dizer, do domínio e conhecimento da escuridão, do qual pertence a mão esquerda, ao lado sinistro, ao medo, a morte a ao horror.

Dominar e conhecer ao inimigo é dominar e conhecer o urso, o lobo, o dragão, o touro ou o animal totêmico que o homem lutador descobre em si mesmo. Cobrir-se de preto equivale a cobrir-se com a pele da besta inimiga, pois a escuridão é a inimiga — até que não seja dominada.

A EXPANSÃO DA FÚRIA DO NORTE


Esse mapa mostra a expansão nórdica na Europa. O vermelho corresponde com as áreas de colonização escandinava, e o verde com as áreas submetidas as incursões e a influência viking. Os vikings foram particularmente prolíficos na França, nas ilhas britânicas e nas bacias dos grandes rios russos. Não estão inclusos no mapa a Groenlândia e Vinlândia (o assentamento viking na América do Norte)


Em um dado momento da Alta Idade Média, no final do século VIII, os povos escandinavos embarcaram numa série de prolificas expedições. Alguns acreditam que essa súbita blitzkrieg dos vikings se deve a uma superpopulação motivada pela poligamia, dentro de uma terra pouco fértil. Outros, como Varg Vikernes, sustentam a ideia de que as hordas vikings eram uma vingança contra o mundo cristão, depois que o bispo Bonifácio destruiu, na Saxônia, no ano de 772, bosques sagrados e, particularmente, o orvalho que os saxões consagravam à Donnar — uma árvore antiguíssima venerada por todos os povos germânicos do mundo, e que era considerado a versão terrestre do Irminsul, o Eixo do Mundo.

A imagem do folclore e a propaganda cristã que nos chegou dos vikings deve ser corrigida. A Igreja satanizou os vikings representando eles como bárbaros sujos com chifres no capacete, sendo que segundo a "Crônica" de John Wallingford "graças a seu costume de ataviar o cabelo todos os dias, banhar-se todo sábado e mudar de roupa regularmente, são capazes de minar a virtude das mulheres casadas e, incluso, seduzir as filhas de nossos nobres para transformá-las em suas amadas". Estamos falando duma época em que o Cristianismo havia estigmatizado a higiene como algo sensual e "pagão". O historiador árabe Ibn Fadlan, embaixador de Bagdá para os búlgaros do Volga, disse dos vikings: "Nunca vimos espécimes físicos tão perfeitos, altos como palmeiras, louros e de pele corada". Ele acrescenta que muitos ostentavam tatuagens no corpo inteiro, e que iam armados sempre com um machado, uma espada e uma faca.

Os vikings acabaram sendo famosos em toda a cristandade, no Leste pagão e em grande parte do mundo islâmico. Os árabes os chamaram de mayus, os cázaros de rus (daí "Rússia") e os eslavos de varegues. Na maior parte da Europa Ocidental foram conhecidos como normandos — isto é, homens do Norte. Geralmente sua forma de atuar era zarpar em grandes frotas, saquear os povoados da costa, estabelecer "centros de operações" costeiros para planear outras incursões e navegar pelos grandes rio para chegar noutras cidades do interior (como Pamplona, Sevilha ou Paris). Numerosas de suas proezas são conhecidas, desde a colonização da Islândia, Groenlândia e América do Norte até o arrebato de Sevilha aos mouros (ano 844), seu saqueio e sua conservação durante uma semana inteira, passando pela fundação de cidades russas como Novgorod (832) e Kiev (864), assim como o primeiro estado russo (Rus de Kiev) e o sítio de Paris em 885.


O raio do mar: durante séculos, uma frota de drakkars indo às compras foi a mais assustadora visão costeira de um europeu medieval.


911 foi o ano em que o dinamarquês Rollo (o nome dinamarquês do rei era Hrolf Ganger, ou Rollo "o Caminhante", pois se dizia que era grande demais para que um cavalo pudesse transportar seu peso) recebeu do rei francês Carlos III da França o ducado da Normandia, para apaziguar a pilhagem viking a que todo o norte da França estava sendo submetido. Em um ato solene de homenagem ao rei Carlos, Rollo foi informado de que ele deveria curvar-se diante dele e beijar seus pés. Ele, escandalizado e ofendido em seu orgulho, recusou-se a humilhar-se de tal maneira, dizendo que "nunca me curvarei a ninguém e nunca beijarei o pé de ninguém". Os bispos aduladores, no entanto, insistiram que "quem receber tal dom deve beijar o pé do rei." Assim encurralado, Rollo ordenou a um de seus guerreiros para realizar o ato. Tomou o pé do rei e, erguido, levou-o à sua boca e beijou-o, fazendo com que o rei caísse de costas, de modo que toda a corte atual riu com força. Esta anedota mostra o lado arrogante e orgulhoso dos vikings, homens ainda inocentes e incontaminados pela mentalidade servil da sociedade civilizada. Estes Vikings da Normandia se cristianizaram, arraigaram-se na França e acabaram por esquecer as suas raízes escandinavas. Sua expansão subsequente os levou para a Inglaterra, para o Mediterrâneo, para o Sul da Itália (reino normando da Sicília) e até mesmo para o Leste durante a era das Cruzadas. Muitos normandos desempenharam um papel importante nas ordens da cavalaria.

Por um tempo, os vikings fizeram a Inglaterra um reino dinamarquês. Os anglo-saxões sob o rei Alfredo de Wessex, germânico como os vikings, se envolveram com eles em uma guerra em que os vikings foram confinados ao Norte da Inglaterra, em um reino chamado Danelaw ("lei dinamarquesa"), onde regia o paganismo nórdico e onde houve uma extensa colonização de famílias vikings, de tal forma que legaram numerosas palavras ao vocabulário inglês. Alguns historiadores chamaram esta "outra Inglaterra" paralela, a "Inglaterra escandinava". Aqui os vikings estabeleceram a capital em Jorvik (York) e dedicaram-se a enraizar ao invés da pilhagem, estabelecendo fazendas, campos de cultivo e centros de comércio.

Danelaw e as principais áreas do estabelecimento viking na Grã Bretanha. Além das áreas designadas, toda a costa recebeu uma forte influência escandinava.

Mas tanto os vikings quanto os normandos disputavam a Inglaterra. A guerra estourou quando o rei Haroldo II de Inglaterra, anglo-saxão, teve que enfrentar primeiro com o rei Haroldo III da Noruega e depois com o rei Guilherme I da Inglaterra, da Normandia, que disputavam o trono. Os anglo-saxões de Haroldo entraram em confronto com os noruegueses de Haroldo Hardrada (o último rei viking da "antiga escola") na Batalha de Stamford Bridge. Depois de vencer Haroldo III da Noruega, as tropas anglo-saxônicas de Haroldo II da Inglaterra se movimentaram cerca de 360 ​​quilômetros de Yorkshire (norte da Inglaterra) até Sussex (sul da Inglaterra), onde Guilherme os esperava com novas tropas normandas. As exauridas tropas anglo-saxãs entraram em confronto com os normandos na famosa Batalha de Hastings (1066). Por causa da falta de boa cavalaria e porque muitos deixaram a segurança do muro de escudos e lanças para perseguir os cavaleiros normandos que se aposentaram para recarregar, os anglo-saxões perderam. Haroldo II da Inglaterra morreu com o crânio perfurado por uma flecha que entrou por um olho. Foi uma tragédia para a Inglaterra.

Os "normandos" (realmente dinamarqueses afrancesados) importaram o idioma francês, contaminando o anglo-saxão e removendo-o de suas ressonâncias mais germânicas. O francês tornou-se a língua da nova corte normanda, e o anglo-saxão — ou seja, o inglês antigo — na língua dos plebeus e da aristocracia despossuída. A Inglaterra também foi infectada com a mentalidade oriental. Seu foco de atenção e relações culturais foram da Dinamarca, do norte da Alemanha e da Escandinávia, à França e ao Vaticano, e neste sentido não há dúvida de que teria sido melhor até mesmo um triunfo viking. Os normandos também importaram uma servidão feudal do tipo cristão (o que fazia sentido em lugares onde os germânicos constituíam uma aristocracia minoritária, mas não na Inglaterra, onde a maior parte da população era de origem germânica), varrendo com a antiga lei saxã, tão odiada pela Igreja que permaneceu apenas no condado de Kent, que foi o local onde os primeiros anglo-saxões (notadamente os jutos da Dinamarca) desembarcaram no século V, e onde a tradição germânica anglo-saxônica era talvez mais forte e mais arraigada. No entanto, os normandos, sem dúvida, forneceram inovações benéficas: grandes castelos de pedra com fossos e o espírito da nova cavalaria.

Os anglo-saxões, em todo caso, não se resignariam a esta situação, e muitos de seus aristocratas, liderando seu povo, participaram de uma resistência oculta contra a invasão "normanda", que não passava de uma invasão francesa . A própria lenda de Robin Hood refere-se à luta entre anglo-saxões e normandos, em que uma männerbund anglo-saxã, encabeçada por um nobre saxão, se retira para a floresta e realiza uma "guerra de guerrilha" contra a ocupação.

A expansão viking foi tão imensa, em suma, que incluso estatuetas de Buda foram encontradas em túmulos escandinavos. Alguns autores, como o francês Jacques de Mahieu, colocaram os vikings na base de aristocracias de lugares tão distantes como o Peru e o México, e de lá casos estranhos como Quetzalcoatl, Kukulkán, Ullman ou Viracocha, deuses pré-colombianos com características europeias (como a pele branca, a barba e cabelos claros ou olhos azuis).

A partir das nacionalidades escandinavas, os noruegueses tendiam a explorar a Islândia, a Gronelândia e a América do Norte, os dinamarqueses concentrados na Inglaterra, Escócia, Alemanha, França e Irlanda, e os suecos dedicavam-se principalmente às suas aventuras no Leste, incluindo Finlândia, Rússia, as guerras contra os cázaros e tártaros, e suas façanhas no mundo islâmico e bizantino.

Agora, os não-vikings consideravam os bersekers como a máxima expressão desta ira do Norte que se espalhava como pólvora por toda a Europa. A própria imagem arquetípica do viking sanguinário que luta seminu e mata indiscriminadamente corresponde mais ao berserker do que ao atual guerreiro viking. A fama e o prestígio dos bersekers no Norte eram enormes. Eles eram guarda-costas em vários tribunais reais, incluindo o do rei Haroldo I da Noruega. O rei Hrólfr Kraki da Dinamarca enviou seus doze bersekers ao rei Adelo da Suécia para ajudá-lo em sua guerra contra Ali da Noruega. Depois das campanhas militares vikings, ao contar as baixas, os capitães militares não se preocupavam em contar os bersekers, já que se supunha que eram invencíveis depois de lançarem feitiços que os tornavam invulneráveis ​​ao ferro e ao fogo, ou eram capazes de desativar as armas do inimigo com o olhar.

Tal fama veio para o Oriente, de modo que o imperador bizantino Constantino — um homem poderoso com numerosos meios e que queria o melhor — tinha contratado uma guarda pessoal seleta exclusivamente composta de bersekers suecos. Eles eram conhecidos como a "guarda varegue". (Com o tempo, a guarda ficaria tão cheio de guerreiros anglo-saxões que ficaria conhecida como "guarda inglesa"). Como Constantino escreveu, esses homens ocasionalmente realizavam a "dança gótica", vestido com peles de animais e máscaras totêmicas.


A guarda varegue, conhecida como pelekiphoroi phrouroi ("guardiões armados com machados") destacou-se gloriosamente em Constantinopla (Miklagard para os escandinavos).

E é que o paganismo escandinavo conservava um xamanismo saudável, profundamente relacionado com a Natureza e com Asgard, o céu dos deuses. De acordo com a mitologia germânica, os bersekers caídos formavam no Valhala a guarda de honra de Odin, pelo que em sua vida terrena tentavam refletir e "treinar" essa vocação protegendo a numerosos reis cuja figura de poder estava associada a Odin.

A guarda varegue tornou-se famosa em uma série de campanhas contra os muçulmanos, em um dos quais os varegues devastaram nada mais e nada menos que oitenta cidades. Em cada exército viking, os bersekers formavam um grupo de doze homens. Os outros guerreiros tinham grande respeito e medo, e tentavam ficar bem longe deles, vendo-os como homens perigosos, instáveis e imprevisíveis. Os próprios bersekers eram mantidos separados do resto do exército correspondente, cultivando o "pathos da distância".

O CASO DOS BERSEKERS


Os bersekers, como todo paganismo, acabaram caindo em decadência. Em um ponto, provavelmente com o advento do cristianismo, a liderança religiosa esotérica da Escandinávia recebeu o toque de graça, desapareceu e submergiu. Toda a religiosidade germânica e suas tradições externas permaneceram, portanto, sem impulso ou direção, divididas e fracas, funcionando pela inércia.

A partir de então, distinguimos dois tipos de bersekers: o berseker heroico, valente, bravo e leal guerreiro de elite ao serviço de um grande rei; e o berseker decadente, bandido errante, dado ao roubo, pilhagem, assassinatos indiscriminados e estupro. Esta última figura corresponde às gangues criminosas escandinavas e seus sinais denotam o que acontece quando os impulsos masculinos — que têm sua origem no lado negro e tendem em princípio à destruição — caem fora do controle concedido pela disciplina, ascetismo e vontade. Estes bersekers eram descritos como terrivelmente feios, com traços deformados, uma única sobrancelha, de olhos escuros e cabelos pretos, com tendências maníacas e psicopatas. Tais criminosos, provenientes dos estratos sociais mais baixos da Escandinávia, vagavam pelas aldeias desafiando a duelos homens humildes. Uma vez que, rejeitar o duelo, eles seriam considerados covardes, os camponeses aceitavam por honra e autoestima, e geralmente caíram mortos sob os braços do bandido. Este, que não era um combatente de honra nem um soldado, era deixado com a terra do infeliz, seus bens, sua casa e sua esposa. Nas sagas, muitas vezes um guerreiro nobre acabava matando o impostor, libertando a mulher e casando com ela.

No século XI os duelos e os bersekers foram considerados fora da lei. Em 1015, o rei Érico I da Noruega os proibiu. "Grágás", o código medieval das leis islandesas, também os condenou ao ostracismo. No século XII, esses bersekers decadentes desapareceram. Doravante, a Igreja cultivou a crença de que eles eram possuídos pelo Diabo.

Um caso digno de estudo: o rei Haroldo III da Noruega como exemplo do mundo viking e a importância dos bersekers nas batalhas. Injustamente, Haroldo geralmente aparece na história apenas como um rei norueguês que não conseguiu conquistar a Inglaterra. Haroldo, um gigante loiro de mais de 2,10 metros de altura, viveu numa época em que os reis escandinavos poliam as artes políticas e a corte para viver de acordo com os seus homólogos europeus, mas ele ainda estava mais em sintonia com guerreiros vikings livres de séculos anteriores. Até hoje, parece-me um mistério porquê ninguém fez um filme sobre esse homem.

Haroldo Sigurdsson nasceu na Noruega em 1015. Aos 15 anos ele participou a favor do rei Olavo II da Noruega na Batalha de Stiklestad contra o rei Canute da Dinamarca (mais tarde também rei da Inglaterra e da Noruega). Nesta batalha, que coincidiu com um eclipse solar, o exército de Olaf perdeu. Ferido, Haroldo conseguiu escapar da Noruega com guerreiros leais à sua linhagem e, no exílio, formar um bando de leais que escaparam da Noruega depois da morte de Olaf. Um ano depois, Haroldo com 16 anos, ele e seus noruegueses haviam atravessado a Finlândia e entrado na Rússia, onde serviram ao grande príncipe Jaroslau I, o Sábio como forças de choque, e onde Haroldo foi feito geral dos exércitos de Jaroslau.

Após dois anos, o jovem general viking estava mantendo uma relação amorosa com Isabel de Kiev, a filha de Jaroslau. Quando o príncipe, enfurecido, surpreendeu o casal, Haroldo se viu obrigado a fugir da Rússia com seus leais, segundo as más línguas, ainda levantando as calças pelo caminho. Haroldo atravessou com seus homens a Ucrânia e o Mar Negro e chegou a Constantinopla, a capital do Império Bizantino, onde se alistou na guarda varegue, uma unidade mercenária de elite composta exclusivamente por escandinavos. Haroldo se fez famoso em todo o Mediterrâneo, recebeu o sobrenome de "devastador da Bulgária", triunfou no norte da África, Síria, Palestina, Jerusalém e Sicília, e acumulou uma imensa fortuna pessoal procedente do botim saqueado. Com o tempo, Haroldo foi feito chefe da guarda varegue, almirante da frota bizantina (a mais poderosa do Mediterrâneo) e recebeu grande autonomia para realizar independentemente ataques contra os inimigos de Bizâncio. Longe de sua Noruega natal, Haroldo e seus homens haviam se convertido nos filhos mimados de um grande império mediterrâneo. Em seu dia, as crônicas bizantinas se referiram a Haroldo como "filho de um imperador varegue". Esteve a serviço dos bizantinos até 1042, isto é, até a idade de 27 anos.

Nessa idade, os rumores relacionaram à imperatriz Zoé Porfirogênita (uma megera casada com o imperador Romano III Argiro, um ancião que não demoraria a ser assassinado), com Haroldo, quando Haroldo em verdade estava mais interessado realmente por sua sobrinha, Maria, com quem a imperatriz o havia proibido de se casar. Apesar de Haroldo ter sido preso em uma masmorra, conseguiu escapar, juntar seus leais, sequestrar Maria e tomar um drakkar. O porto de Constantinopla estava protegido por uma corrente que impedia a passagem de embarcações, de modo que Haroldo ordenou a todo aquele que não remasse que fosse para a parte de trás de seu barco, enquanto os outros remavam. O barco, pois, levantou sua parte frontal por efeito do peso e, quando os que não remavam se deslocaram para a proa, superou as correntes com êxito.

Haroldo, enfim, abandonou o Império Bizantino com a prontidão que vinha sendo habitual em suas viagens, mas enviou Maria de volta para Constantinopla. Atravessando o Mar Negro e a Ucrânia, passou de novo pela corte de Kiev e se encontrou com seu antigo amor, a filha de Jaroslau, com quem se casou conforme viajavam para o norte através da Rússia.

Em 1045, tendo 30 anos, apoiado por seus endurecidos homens leais, sua própria experiência político-militar, suas impressionantes riquezas e por sua ampla rede de contatos, Haroldo reconquistou o trono da Noruega como Haroldo III Sigurdson, reinando por 20 anos e recebendo a alcunha de Hardråde ("o duro"). Mesmo assim, parece que toda essa vida de grandes gestos não havia enchido o viking o suficiente. Em 1066, Haroldo pôs seus olhos sobre a Inglaterra, essa terra que havia sido o destino de inúmeras migrações nórdicas desde o século V. Haroldo reivindicou o trono inglês aproveitando que havia existido no passado um reino dano-anglo-norueguês, e reuniu 300 drakkares para enfrentar as tropas anglossaxãs do rei Haroldo II da Inglaterra. Foi nesse marco que teve lugar a Batalha de Stamford Bridge, no norte da Inglaterra.

Precisamente nessa batalha teve um papel destacado um berserker gigante, ao lado de quem o próprio Haroldo (que tinha mais de dois metros) parecia um anão. Esse enorme berserker norueguês defendeu a ponte durante uma hora, matando todos que se aproximavam, e sem sucumbir diante das flechas. Um guerreiro anglossaxão conseguiu se enfiar debaixo da ponte descendo o rio dentro de um barril, e através de uma fenda nas tábuas, atravessou com uma lança o gigante. Isso abriu as portas para os anglossaxões, mas a resistência do herói havia dado tempo para que seus compatriotas (que haviam sido surpreendidos) organizassem uma linha de escudos que aos anglossaxões custou romper. Haroldo morreu com a garganta atravessada por uma flecha. Quando um de seus homens perguntou se estava gravemente ferido, respondeu "é só uma pequena flecha, mas está fazendo seu trabalho". Tinha 51 anos.



Só 10% dos soldados noruegueses sobreviveu à Batalha de Stamford Bridge. Os anglossaxões permitiram aos últimos vikings zarpar nos drakkares e voltar à Noruega. Geralmente, o ano da morte de Haroldo em 1066 coincide com a chegada do Cristianismo no Norte, e se considera a data do fim da "era viking".

BROTOS DE FÚRIA SAGRADA


Não se pode dizer que o fogo do sangue nórdico desapareceu. No mesmo século que desapareceram os berserkers, se iniciou o auge das ordens de cavalaria, as novas männerbundens da Europa. Os grandes momentos de glória que a Europa desfrutou durante a Idade Média se devem a elas, basta pensar no Sacro Império, nas cruzadas orientais, na civilização occitana, na Reconquista espanhola, nos templários e nas lendas do Graal. Pode-se dizer, por sua vez, que havia desaparecido o exemplo mais visível e óbvio da fúria pagã.

O que houve com a liderança religiosa tradicional na Europa? Não desapareceu, mas submergiu. E desde o inconsciente coletivo adormecido no sangue europeu, manejou inúmeros grupos que quase estiveram a ponto de derrubar o poder da Igreja (recordemos o catarismo, os templários e os guibelinos). O Sacro Império Romano-Germânico (o Iº Reich) foi um grande repositório da tradição ancestral. Seus imperadores (como o famoso Frederico Barbar Ruiva, ou seu neto Frederico II), muitos deles educados desde a infância por ordens de cavalaria, foram considerados hereges, antipapas e anticristos pela Igreja, posto que a maioria estiveram diretamente envolvidos em atividades "pouco cristãs", incluindo saques do Vaticano, pactos com ordens de cavalaria à margem da Igreja e tratativas com o Islã. O imperador Carlos V (rei da Espanha e do Sacro Império Romano-Germânico, e senhor de meia Europa, ademais de vastos territórios em ultramar) também saqueou o Vaticano como seus antepassados visigodos mais de mil anos antes, aterrorizando o Papa como se de um proscrito vulgar se tratasse, pelo que talvez se devia perguntar como estes homens entendiam a religião cristã e a lealdade que supostamente deviam à Igreja.

Após a desastrosa Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), o Sacro Império caiu definitivamente, sendo substituído por pequenos e ridículos Estados burgueses que foram assolados pela peste negra e pelo protestantismo, e que se dedicaram à perseguição virulenta de hereges, queimando ou enforcando o maior número de "bruxas" de toda Europa, enquanto os turcos tomavam os Balcãs. Regiões inteiras da Alemanha foram despovoadas por essa paranoia. Dessa época vieram também as lendas de lobisomem, e na Alemanha se acusou a muitos homens de serem licantropos. Milhares foram torturados e executados por isso.

A queda dos templários e do Sacro Império constituiu, então, um marco: caiu a mística Idade Média de castelos e cavaleiros, e foi substituída pela suja era das fomes, das pestes, da caça as bruxas, do puritanismo, da Bíblia e do fundamentalismo religioso. Mesmo assim, a Infantaria relevou a Cavalaria como corpo dominante nos campos de batalha, como é patente as conquistas dos Tercios (tão similares em sua organização e mentalidade às legiões romanas).

Das ordens de cavalaria, do misticismo medieval, do sentimento de dharma e da ordem social tradicional, ficaram os rosacruzes e os maçons. E ambos acabaram, por sua vez, infiltrados pelo auge da nova casta comercial-financeira (a burguesia), como é especialmente patente na maçonaria moderna.


O GERMANISMO E A VINDA DO RAGNAROK


Segundo o conceito dos antigos pagãos germânicos, a tormenta final, no vértice do Ragnarok, será uma caçada contra as forças do mal. Odin, brandindo sua lança e cavalgando seu cavalo de oito patas, descerá sobre a Terra. Thor, empunhando seu martelo e montado sobre seu carro de guerra puxado por bodes, aparecerá no céu urrando furioso e rodeado por raios, causando um estrondo avassalador. A Wildes Heer (horda furiosa), o Oskorei (exército do trovão), o exército dos caídos, arrasará os inimigos dos deuses, fazendo retumbar o solo com os cascos de seus cavalos e o ar com seus gritos de batalha. As sombrias valquírias cavalgarão serenamente, prestando atenção ao desenvolvimento das batalhas para escolher aos novos caídos. Os corvos de Odin, seus lobos e todo tipo de seres sobrenaturais, proliferarão no grosso da tormenta mística, fazendo tremer às forças da escravidão materialista, estremecendo angustiosamente as almas dos inimigos dos deuses, e derrubando fatidicamente os muros que separam a Terra do Mais Além.

Tudo aquilo era uma explicação metafórica, simbólica e poética do fim de uma era, quando finalmente o céu se enfurecer e cair sobre a Terra, e se trave o apocalíptico combate do superior contra o inferior, do bem contra o mal. Talvez um dia, os desmemoriados apóstolos da civilização financeira e da usura voltem a conhecer com horror a sede de batalha do homem europeu, a espumante e angustiosa raiva do guerreiro inspirado, o instinto do trabalhador, do conquistador, do pioneiro, do explorador, do artista, do soldado, do senhor e do destruidor que a Europa leva em si, e cujo último exemplo foi quiçá, em dias distantes, o berserker escandinavo.



* * * * * * * * *



"O cristianismo, e este foi seu maior mérito, subjugou até certo ponto o brutal ardor guerreiro dos germânicos, mas não pôde quebrá-lo de todo, e quando a Cruz, esse talismã restringente, cair em pedaços, então se liberará novamente a ferocidade dos antigos combatentes, a frenética fúria berserker da qual os poetas nórdicos falaram e cantaram tanto. O talismã se apodreceu, e chegará o dia em que cairá penosamente no pó. Os velhos deuses de pedra, então, se levantarão das ruínas esquecidas, e limparão de seus olhos o pó de séculos, e Thor, com seu martelo, surgirá de novo. Quando ouças o pisar das botas e o chocar das armas, filhos de seus vizinhos, ficai em guarda...talvez ela se descarregue contra vós. 
Não sorriais ante a fantasia daquele que prevê no campo da realidade a mesma eclosão de revolução que teve lugar na região do intelecto. O pensamento precede à façanha como o raio ao trovão. O trovão alemão é de autêntico caráter germânico: não é muito ágil, na medida em que retumba lentamente. Mas chegará, e quando ouvirdes choques tais como a história do mundo jamais viu, então sabereis que finalmente o raio germânico caiu. 
Com essa comoção, as águias cairão mortas do céu, e até os leões das pastagens mais longínquas da África morderão suas caudas e se arrastarão para seus covis reais. Terá lugar na Alemanha um drama comparado com o que a revolução francesa parecerá um inocente idílio. No presente tudo está silencioso, e ainda que aqui e ali alguns homens criem agitação, não imagineis que estes serão os verdadeiros atores na obra. Só há cãezinhos perseguindo uns aos outros ao redor da arena...até a hora assinalada na qual a tropa de gladiadores aparecerá para lutar por vida ou morte. E a hora chegará".

Heinrich Heine - (Chaim Bückeburg)

domingo, 30 de abril de 2017

A Importância de ser Criativo

De muitas maneiras diferentes, o aspecto mais relevante para o desenvolvimento do homem é a sua capacidade de ser criativo com os recursos e conhecimento do mundo que ele tem disponível no momento presente. Esse fato se estende desde a sua profissão/emprego, até seus hobbies e relacionamentos amorosos. Talvez para você isso ainda não pareça muito lógico, ou talvez, vc apenas não tenha prestado atenção merecida para esse fato, que para mim é bastante óbvio. Eu já postei aqui sobre a importância da criatividade no treinamento e hoje vamos expandir um pouco mais esse horizonte.

Tudo bem, criatividade de mais pode virar estupidez. 

O grande mérito de pessoas bem sucedidas por esforço próprio se dá única e exclusivamente por causa da sua alta capacidade de criação e adaptação a situações aleatórias, da capacidade de encontrar uma saída no meio da derrota certa. Onde os outros só veem caos e aleatoriedade fria, ignorante e sem sentindo,  o homem criativo encontra um caminho fértil e promissor. Ele transcende, e nós aqui do Complexo de Hércules também o faremos, porque entendemos e buscamos não ser medíocres numa vida sem realizações.

Para fins de abreviação e praticidade, e também uma pitada de realidade sarcástica, é necessário definir uma conceituação que usaremos para se referir ao homem sem criatividade nesse artigo. Isso tornará as coisas mais fáceis de serem entendidas e discutidas. Chamaremos estes de "homem duro" ou rígido (por favor, me poupem dos trocadilhos infames e infantis). Porque essa caracterização vem a calhar muito bem para definirmos o homem que não é criativo, logo, medíocre? Ora, pq este não é flexível, ou definindo de forma mais objetiva, não tem plasticidade. Mas eu não falo isso no sentido material ou mesmo comportamental (do sujeito vacilante e indeciso), coisa que é bastante comum inclusive, o que lhe falta é flexibilidade ou melhor, a plasticidade neural. Esta é a qual me refiro precisamente. Um colega da blogsfera fala um pouco sobre esse tema e tem uma série muito interessante sobre inteligência e aprendizado, algo que tem bastante haver com o nosso tema. Vale a ida aqui.

Esse emaranhado que move o mundo. 
Bem, o homem duro é assim, duro, por um série de fatores, muitos dos quais são amplamente tratados por mim aqui no blog mais viril da terra. A falta de flexibilidade da mente masculina faz com que ele seja uma espécie de quadrúpede ruminante, pensando pela cabeça dos outros. Pode ter muita força, assim como nossos animais de carga, mas mesmo assim é facilmente controlável. Faz com que ele seja incompetente na profissão e estudos, frustrado nos relacionamentos inter e intra pessoais, em suma, faz com que ele seja obtuso e frágil. Pode ser robusto em algum aspecto ou outro como eu já disse, mas frágil num horizonte mais amplo.

Eu acho que o mundo natural/animal pode nos dar muitas respostas sobre como nosso próprio comportamento deveria ser, uma vez que eu acredito, assim como muitos outros autores espalhados pela internet, que o homem mais ideal que viveu foi o do paleolítico e eras pré medievais, antes da intoxicação civilizatória. No reino animal, os amimais mais inteligentes e os quais nós, seres humanos, temos mais apreço são os animais carnívoros. Não por acaso, vemos muitas semelhanças com eles, e segundo algumas culturas xamânicas, cada ser humano tem um espírito animal ao qual é regido. Além disso, o fato do maior desenvolvimento humano ter acontecido nas culturas e tribos que eram quase que exclusivamente carnívoras, e toda a civilização ocidental contemporânea ter existido a partir destes povos, prova de muitas formas que o animal diz muito sobre nós.

O carnívoro/onívoro é mais estimado, por ser uma representação do animal homem de diversas maneiras, principalmente no engenho e na plasticidade mental. Para conseguir comida, o predador precisa ser engenhoso e aprender com os próprios erros se quiser sobreviver por mais um dia. Essa foi a realidade dos seres humanos que vivam no permafrost e precisavam ser engenhosos se quisessem continuar respirando, já que não podiam se dar ao luxo de simplesmente pegar comida penduradas em galhos de árvores e sentar na sombra, esperando monotonamente o dia passar. Não por acaso, o hemisfério norte, mais frio, se desenvolveu muito mais que o sul. Não por acaso, é por ai que começaremos nosso entendimento sobre como a criatividade é tudo na nossa vida. O engenho e plasticidade do homem do frio fez com que aqueles povos se desenvolvessem de maneira impressionante, não apenas materialmente mais fisicamente.


Inóspito, hostil, e impossível da vida humana de desenvolver? Não foi isso que o homem engenhoso pensou.

Com a ida ao norte e ao frio, e a adesão de uma dieta cada vez baseada e na caça, (pois não havia outra solução para sobreviver) ou seja, mais carnívora e com mais gorduras, o ser humano passou a gastar menos energia com o intestino, e mais com o cérebro, pois precisava da sua engenhosidade para caçar, e ao mesmo tempo, precisava estar a alerta e pronto a qualquer momento. Fora que matar mamutes deviam exigir uma quantidade absurda de energia, e pedaços gordurosos de carne tem muito mais kcal do que quilos e mais quilos de salada e frutas. Com a descoberta do fogo e o cozimento dos alimentos, esse processo de digestão foi ainda mais acelerado.

As cadeias de polissacarídeos são muito difíceis de serem digeridas, logo, o intestino consome muita energia do organismo para poder transforma-las em algo bio disponível, privando essas kcal de serem utilizadas em outras coisas. Assim, o intestino não tão bem adaptado a plantas (nosso caso) usa a maior parte da energia que consumimos, fazendo com que nos tornemos letárgicos, e com o pensamento anuviado. Os herbívoros são adaptados na digestão de cadeias de polissacarídeos, por isso seus intestinos são comparativamente maiores que os dos carnívoros/onívoros, porém, seus cérebros são menores, logo, são muito mais estúpidos e domesticáveis. Fora que carnes são mais nutricionalmente volumosos, melhores para o nutrimento, conceito esse muito importante.

Aquele velho ditado, "ele não come para viver, vive para comer" se encaixa perfeitamente nessa realidade, especialmente quando falamos dos homens que comem como herbívoros. Por desperdiçarem toda sua anergia com o intestino, não conseguem desenvolver uma mente engenhosa, e criativa. O primeiro aspecto do homem duro, é que ele faz péssimas escolhas alimentares, por isso se comporta e vive semelhante a um ruminante, ou seja, algo que é predominantemente herbívoro. Ocorre que como o homem não deveria ser predominantemente herbívoro, ele sempre se sente letárgico, com preguiça, não consegue perceber os pequenos detalhes, nem sair de enrascadas e dificuldades, ou ter aquela ideia simples que facilita a vida de todos, porque o intestino usa toda sua energia e vitalidade humana. Comer como um predador é a primeira coisa que você deve fazer por si mesmo, se quiser mudar de vida verdadeiramente.

Esse é um aspecto muito negligenciado, o quanto a dieta influencia na sua capacidade de tomar decisões. E sem querer dar uma de "teoria da conspiração", muito provavelmente é negligenciado de propósito. Se você ir agora mesmo em alguma nutricionista qualquer, e pedir uma dieta que te deixe mais "disposto", ela vai te recomendar, entre muitas outras merdas, um regime alimentar prevalente em fibras, frutas, grãos como granola e pistache e iogurte natural. Tudo bem, o homem não é um carnívoro puro, é um onívoro, e pode se beneficiar de algumas plantas. Mas a história do homem já demostrou que o melhor para nós, é uma dieta que seja primordialmente carnívora, e não ao contrário, caso queiramos, entre muitas outras coisas, ser engenhosos e com vitalidade elevada. Talvez o plano alimentar convencional foi esquematizado, e é incentivado pelos "especialistas" por sermos mais úteis ao sistema financeiro capitalista, se levarmos uma vida como a dos herbívoros que escravizamos, agindo monótona e repetidamente, sem fazer perguntas, tendo como um dos únicos prazeres coisas que satisfaçam o paladar e congestionam o intestino, sendo facilmente distraídos por coisas insignificantes e sem importância. Mas enfim, esse assunto fica para outra discussão.

Nos registros históricos, os Cro-Magnons, e também como o que era relatado sobre os Vikings, ambos homens do frio e predominantemente carnívoros, era que estes foram muito maiores e mais fortes que seus contemporâneos e mais pronunciadamente ainda comparados com nós, pobres coitados herbívoros e cosmopolitas. Tinham um ímpeto insuperável, força incrível, e muita espiritualidade, talvez por saber perfeitamente o poder que uma vida, mesmo animal, tem, ao ser ceifada para nos propiciar energia.

Os povos mais insanos da história eram carnívoros, inclusive os Godos, ancestrais dos Vikings. 
Por não desperdiçarem tanta energia com o intestino, os carnívoros tem a capacidade de se serem mais focados, pois a atividade predatória, ou se preferir, a caça, requer foco, sem distrações irrelevantes. Nossa visão atesta essa fato, é focal. Recentemente eu falei que o funcionamento ideal do homem é bimodal, ou seja, de grande intensidade por curtos períodos, seguido de repouso quase que absoluto. Assim que os maiores conquistadores agiram, no silêncio absoluto até que de repente, vinha o golpe fulminante a fatal, sem chances para a presa. Temos essa característica, obviamente pq também somos predadores, logo, temos que comer como tal. Assim, a nossa capacidade criativa só pode se desenvolver se tivermos o hábito de nos mantermos focados de forma bastante intensa, por determinado tempo, sem o incomodo de distrações irrelevantes. Nossa energia deve ser canalizada de forma corretamente intensa e focal, e não suave e dispersa. Essa é a forma correta que toda a fisiologia e comportamento humano funcionam.

Mais energia para o cérebro, menos tempo de letargia intestinal fará sua plasticidade neural aumentar. Se focar em uma tarefa difícil será uma coisa menos penosa para vc, pobre homem duro e herbívoro, pq seu corpo estará se privando de distrações desnecessárias e você vai começar a pensar em um nível de consciência um pouco menos bovino. Além disso, comer de forma mais carnívora fará um bem enorme para seus hormônios, que consequentemente mudarão seu aspecto físico exterior, que consequentemente também fará com que as pessoas te olhem com outros olhos. Você não vai ser mais apenas uma ovelha no rebanho.

Carnes vermelhas, principalmente, são ricas em gorduras saturadas e colesterol. Colesterol e gorduras são a "matéria prima" para nosso organismo fabricar hormônios andrógenos, como a querida testosterona. Altas doses de hormônios andrógenos circulando no seu sangue, vão te ajudar a ser, entre muitas coisas, mais focado, não se preocupar com trivialidades cretinas que não dizem respeito a realidade prática das coisas nesse exato momento, como os vídeos mais badalados do whatssap, a política da china, marxismo, George seilá que caralhos Soros, ou sobre o que está acontecendo lá em algum fim de mundo qualquer que vc nunca irá visitar, enquanto sua vida passa diante dos seus olhos e vc não faz nada, apenas fica como um ruminante digerindo anidos na frente de uma tela brilhante. Você será mais predisposto a aceitar e gostar de riscos, ou seja, terá mais vontade de agir a fazer alguma coisa por si mesmo, não apenar ler o que alguém escreveu e falar sobre com alguém tão sem graça quanto você. Isso é ser menos passivo e mais ativo. Isso é ser menos presa e mais predador.

Como eu disse, criatividade, é a capacidade de achar soluções práticas e eficazes, com poucos recursos. Esse processo necessita de uma grande disposição na tomada de riscos. Homens que se arriscam foram os que trouxeram o progresso, logo, o desenvolvimento financeiro que pode criar as universidades e o conhecimento científico, e não contrário. Muitos idiotas acham que o desenvolvimento científico é o que trouxe o progresso. Mas isto não passa de ilusão. Os homens que se arriscaram, sem saber muito bem o que estava acontecendo ou o que estavam fazendo, foram os que trouxeram progresso. Antes de alguém passar uma vida inteira se especializando em falar sobre cachalotes, ou como pescar cachalotes, algum maldito marinheiro teve que entrar dentro do um navio sujo e fedorento, cheio de homens de pavio curto, sair para o oceano desconhecido descobrir o que era e como pescar um cachalote. Nesse processo, muitos morreram, mas essa assunção de risco por parte de alguns é a manifestação in loco da criatividade do ser humano, e o que propiciou para nós, uma vida confortável e herbívora. Criatividade tem absolutamente tudo haver com assumir riscos e não ter medo de falhar.


Ler esse livro é uma das melhores coisas que vc pode fazer por si mesmo. De verdade. Eu falo um pouco dele aqui

Podemos notar, neste processo, que uma coisa acaba levando a outra. Você passa a ser menos herbívoro na alimentação, e se torna mais carnívoro. Carnívoros são predadores. Suas funções, hormônios e forma de pensar se tornam mais predatórias. Ou seja, você se torna engenhoso com a realidade que lhe é apresentada diariamente, pq afinal, predadores tem que ser engenhosos, sua alimentação já não é tão constante (lanchinhos açucarados de hr em hr)  e não te leva tanta energia, sua mente tem mais liberdade para agir e criar novas conexões.

Claro que todos esses pontos que foram observados até aqui são apenas um primeiro passo, um começo, em um longo processo de auto-aperfeiçoamento ao qual temos que passar para nos tornarmos os caras que fazem a diferença. O entendimento de que o mundo animal/natural esconde todas as respostas que precisamos já é um grande avanço para o homem duro e cientificista. O homem duro não percebe essas nuances e detalhes óbvios, pq seu pensamento é engessado, e manipulável. Algum idiota de batina branca disse a ele que tudo que é de certa forma animal é coisa do demônio, e deve ser evitado. E ele acreditou nisso. Acreditou também quando PhD´s que nunca puseram o pé pra fora do laboratório de alguma universidade extravagantemente renomada sebe-se lá de onde, disseram que espiritualidade e os conhecimentos e rituais ancestrais não passam de folclore e ignorância. Acreditou no que eles disseram, mesmo que a realidade vivida por ele até aqui, diga o contrário do que ele encontrou nos livros sagrados e nem tão sagrados assim e artigos "conceituados" de doutores com Honoris causa. Ele não tem nenhum contato com o natural, ou com o verdadeiramente espiritual. Sua intuição não funciona nunca pq ele aprendeu a apenas pensar com a cabeça de outras pessoas. Talvez seja efeito dos constantes picos de insulina, talvez seja resultado da falta de atividades fisicamente exigentes, ou talvez ainda, por causa industrialização de tudo, até dos sentimentos e relações humanas.

Com certeza vcs já devem ter ouvido de algum homem bem sucedido em alguma área, que é importante nós ouvirmos a nossa "intuição". Porém, se o homem duro não tem plasticidade neural, logo, também não terá a capacidade de ouvir a sua intuição. Fora que isso é uma coisa muito íntima, de vc para consigo mesmo e enquanto vc pensar com a cabeça das outras pessoas, não terá a capacidade de desenvolver essa "habilidade" de ouvir a si próprio de verdade. Você só escuta de vc mesmo aquela tagarelação infinita da sua mente neurótica pensando em mil coisas por segundo, e nenhuma dessas coisas sendo algo realmente relevante. Apenas ruído.

Falando de forma bem simplista, segundo a ciência, a "intuição" é a capacidade que algumas pessoas tem de acessar mais facilmente, ou claramente, o hemisfério direito do cérebro. Artistas de todas as espécies, gênios, e pessoas sensitivas tem esse hemisfério bem mais desenvolvido que o nosso caricato homem duro herbívoro. Artistas e gênios dependem muito do seu feeling para as coisas, da sua intuição que fica situado no lado direito do cérebro. Porém, esse hemisfério é diferente, e não funciona de uma forma que podemos explicar ou entender de forma cartesiana e lógica. Ela é a parte que opera o nosso subconsciente e talvez só o nosso próprio cérebro saiba lidar com ele mesmo. É uma abstração muito grande pensar dessa forma, mas essa parece ser a cruel realidade da nossa própria mente.

Nós precisamos ser mais criativos. Para sermos mais criativos temos de acessar com mais facilidade o nosso hemisfério direito do cérebro. Existem alguns livros bem didáticos falando sobre esse assunto, que é bastante interessante, como o da Dr. da arte Betty Edwards. Mas em todo caso, nosso processo de assumir riscos, e melhorar a nossa plasticidade a partir da tentativa e erro fará com que mais conexões neurais sejam efetuadas, inclusive no lado direito. Eliminar o ruído da sua vida é um passo importante para ser um homem menos duro. Ou seja, se tornar verdadeiramente presente no momento ao qual vc está inserido agora, e deixar de lado distrações e trivialidades inúteis. Até pq, conforme a Dr. Edwards explica no seu livro, o hemisfério direito é mais "sensível" ao barulho e as palavras. Distrações desnecessárias enquanto vc tenta achar a solução para algo, vão deixar o seu hemisfério direito inacessível e vc só terá disponível a sua parte lógica (esquerdo) que acha que sabe de tudo e sabe exatamente o que está fazendo, sem precisar pedir ajuda ao lado direito. Mas por mais estranho que isso possa lhe parecer, é justamente esse o erro das pessoas duras.  Eles, ou nós, já criamos todo um sistema de "símbolos"  que reduzem e simplificam a realidade, não permitindo que vejamos as nuances ocultas, e as nem tão ocultas assim. Logo, só sabemos agir de forma previamente estabelecida, dentro de parâmetros que achamos que são imutáveis e o mais eficiente possível. Como é dito no livro, somos enganados por nós mesmos, umas vez que não conseguimos acessar nosso lado ontológico e intuitivo. Assim que idiotas caem nas mãos de espertinhas, assim que alunos imbecis viram comunistas quando vão pra faculdade, e por isso vc não consegue ser criativo com nada. Sua mente não tem a capacidade de pensar fora da caixa, pq vc não consegue acessar o seu hemisfério direito, pois seu estilo de vida não permite. O homem que viveu antes da era da civilização era muito mais espiritual que nós, não é por acaso. Sua conexão com o lado direito do cérebro era muito maior. Os maiores gênios que já existiram, viveram num passado distante, antes de todo esse ruido e distração da vida moderna, com alimentação mais natural e um relacionamento mais cristalino com a o lado intuitivo, por isso foram gênios, e não, como alguns cretinos gostam de dizer para se sentirem melhores com a própria inépcia, não faziam nada o dia todo, por isso tinham tempo de estudar. Pensem nisso.

Aquela velha história que diz que nós só aprendemos de verdade, FAZENDO é muito verdadeira. No começo não teremos capacidade de encontrar nenhuma solução, temos que andar por caminhos já trilhados, ou desbravar o desconhecido. Mas a medida que colocamos cada vez mais a nossa "pele no jogo", mais as coisas vão acontecendo, a intuição sobre aquilo começa a ser desenvolvida e a criatividade aflora. Fazer descobertas ou criar coisas por si mesmo é uma das maiores satisfações que o ser humano pode ter e vc só será verdadeiramente feliz e satisfeito com a sua profissão se puder ser criativo nela. Isso é ser um predador na vida profissional. Criatividade é o que nos torna únicos.

Os jovens que estão nas universidades e uniesquinas não entendem esse processo, e quando se formam, ou ficam sem emprego, ou o emprego que tem não é nem de longe aquilo que um dia imaginaram, justamente pq nunca tiveram a oportunidade de criar algo na própria área de atuação. E não precisa ser algo absolutamente revolucionário e inovador, mas algo feito por vc que mude a sua realidade observável e te deixe orgulhoso de si mesmo. Você sentirá um sentimento de ser pertencente a alguma coisa maior e de ser útil.

Estes nossos jovens passam anos "estudando" coisas que lhe são sugeridas por professores, vendo teoria e mais teoria, e não tem a possibilidade ou a disposição de pegar essas informações e desenvolver uma solução simples para alguma coisa qualquer. Ou seja, não conseguem usar esse conhecimento de forma prática, a não ser que seja fazendo metodicamente o que foi escrito ou ensinado por alguém. Ou seja, apenas uma cópia, reprodução, sem toque pessoal. Isto é precisamente uma característica de homens duros. A universidade, hj, é uma fábrica de homens que não desenvolvem e nem podem expressar a própria criatividade. Eles não conseguem adaptar a teoria, o conhecimento adquirido a realidade aleatória e urgente de agora. Só se agirem dentro de uma programação pré-estabelecida. Mas essa programação pré-estabelecida foi pautada em cima de uma situação específica, que muito dificilmente vai se encaixar na realidade in loco do sujeito. Ai o robozinho trava e não sabe o que fazer. E se fizer, vai ser mal feito. Por este motivo o universitário brasileiro é tão estúpido e os profissionais estão cada vez piores.


Algum desses cretinos que irão fazer a sua cirurgia de coração ou construir a sua casa amanhã. Animador, não é mesmo? 

Esse fenômeno, como eu já disse, está acontecendo devido ao nosso estilo de vida e mentalidade de herbívoros. Sim, isso mesmo. Lembra-se que o ser herbívoro é facilmente manipulável, ou seja, não consegue pensar claramente e tem pouco foco, que pode ser traduzido para, tem pouca força de vontade, por mais que seja muito forte fisicamente. Se ele pudesse, ficaria o dia todo pastando, praticamente sem se mexer, se distraindo com coisas aleatórias sem prestar atenção em nada. O pastar para o nosso amigo quadrupede, é o mesmo que as distrações inúteis que o universitário e trabalhador médio tem. Coisas irrelevantes que te afastam da possibilidade de ser focado, de utilizar o seu tempo praticando aquilo que vc lê e ouve nas salas de aula ou nos blogs viris como o meu. Assim, os nossos inocentes jovenzinhos promíscuos não desenvolvem a plasticidade neural proveniente da assunção de riscos, ou seja, a partir de realizar alguma tarefa, e tem uma vida desregrada e se tornam profissionais duros, e ignorantes, que só sabem agir dentro de um script bem limitado. 

Por este motivo se você que está lendo e entendendo o que está escrito aqui, e faz algum curso idiota qualquer, e percebeu com a minha ajuda que nunca conseguiu pensar ou criar nada por si próprio, a partir do conhecimento "supostamente" adquirido nas salas de aula e laboratórios, considere seriamente mudar de curso. Sua vida profissional não será melhor ou mais gratificante que essa sua vida medíocre e ridícula de universitário que não produz nada, é uma vergonha para os pais e só sabe ir em festas ficar bêbado e lavar fora de pseudo santas mais rodadas que uno de prefeitura que se fantasiam de prostitutas, e normalmente, são mais néscias que você, por mais surpreendente que isso possa lhe parecer. Também se aplica ao cara que tem um emprego qualquer. Se por acaso seu emprego não lhe der a possibilidade de ser criativo, seja por qual motivo que seja, saia dele e procure algo que você possa fazer alguma coisa relevante de verdade. 

Procurar alguma coisa que você tenha uma certa vocação é importante, mas sem adquirir uma mentalidade e hábitos de predador, que fazem parte do nosso espírito humano, vc sempre será um cara passivo e que tem pouca disposição para assumir riscos. Por isso, entender essa realidade é o primeiro passo, pois vai mudar a o seu entendimento de homem duro em qualquer que seja a sua situação. Para vc se aprofundar em algum área de conhecimento, e ter a disposição de trabalhar naquilo de forma prática, vc precisa de força de vontade, e não apenas "gostar" da coisa. Eu poderia ter falado como qualquer outro psicoboiola afeminado, que diria para vc que quer encontrar algum sentido na  vida vc precisa fazer o que gosta. Bem, isso é meio genérico e é extremamente gay. Eu não sei o que vc gosta e não me importo nem um pouco, o que eu sei é que vc precisar ser engenhoso, e para ser assim, vc tem que ter uma mentalidade de predador. Simplesmente gostar ou ter afinidade não é o suficiente, mas em todo caso, já seria um facilitador, mas não é um fator limitante.

Não é um fator limitante pq homens fazem o que é preciso fazer, e não o que gostam, na maioria dos casos. Os primeiros desbravadores da Europa talvez preferissem ficar bêbados e ficar em casa transando com suas esposas, mas isso traria a ruína de todo um povo. Uma atividade física e mentalmente exigente, por mais que seja extremamente desconfortável no inicio, pode se tornar a sua grande alegria de viver, se vc puder criar algo por si próprio a alterar a realidade a partir do seu engenho. Pq o exercício físico é tão viciante para os que realmente fazem o trabalho duro? Pq ele envolve esses dois aspectos. Ser fisicamente testado te transforma em um predador que ama desafios, assim como encontrar soluções para problemas.

Por estes motivos e muitos outros, não acredite no papo que criatividade é algo exclusivo e certas profissões, ou algo algum tipo de dom divino de alguns. Se vc quer se destacar e na sua atividade precisa por a sua pele no jogo e se livrar de todo ruido que te cerca e te puxa para baixo. Essa série continua na parte 2.